sexta-feira, 11 de agosto de 2017

SOFRIMENTO, PARASITAS E EGOS

Lang/Baumann
Texto de Pierre Lévy
O fogo libertador, 2000

“Quanto mais sofremos, mais o ego se fortalece. Achamos que sofremos “por nós”, que o sofrimento é necessário. Acreditamos que sofremos para suprimir o sofrimento e que ele logo desaparecerá. Ora, ele sempre volta mais forte e, habituados, nem mais o sentimos. É aí que ele ganha terreno. E quanto mais sofremos, menos queremos olhar o sofrimento de frente, pois tal atitude nos obriga a “nos” questionar profundamente. Na verdade e muito pelo contrário, só assim poderíamos nos reencontrar. Mas é justamente esse o problema: não somos capazes de distinguir entre o si e o ego e tememos, portanto, nos perder. Não sabemos mais quem somos. Então, continuamos a nutrir nossos parasitas, esperando que isso provoque algum alívio em nossa situação. É assim que nos tornamos dependentes do sofrimento. Os mecanismos que provocam o sofrimento se auto- sustentam. Nutrem-se da energia da alma para fazê-la voltar-se contra si mesma. Tornam-se necessários, fazem- se passar por ela, quando, na verdade, trabalham para destruí-la. Chamamos de ‘ego’ a imagem protetora que o conjunto desses parasitas edifica a fim de enganar a alma.”