quinta-feira, 10 de agosto de 2017

II COLÓQUIO INTERNACIONAL DE FILOSOFIA FRANCESA E CULTURA, IV COLÓQUIO INTERNACIONAL ERIC WEIL


No panorama mundial contemporâneo, refletir sobre a relação cruzada entre Pensamento e História constitui uma das tarefas mais urgentes do conjunto dos diversos domínios do saber, em especial, da filosofia.

O breve e frenético século XX parece ter levado a experiência humana, em suas diversas dimensões, a uma grave extenuação. Os intensos eventos desencadeados naquele século produzem ainda seus efeitos neste novo, já em sua segunda década. Os debates acerca da pós-história ou fim da história – que tiveram vigoroso lugar outrora no âmbito acadêmico – cederam, definitivamente, às evidências em face dos acontecimentos que deixaram, hoje, de indicar qualquer caminho na história humana ou sequer a postulação de um sentido.

História sem proposição e pensamento exangue indicam, à primeira vista, uma ruptura insuperável aos olhos de um indivíduo desamparado diante do ambiente caótico e fragmentário deste início de século.

Desta forma, justificamos o título dos presentes Colóquios por entender que as filosofias de matriz francesa de Michel Foucault (1926-1984), de Paul Ricoeur (1913-2005) e de Eric Weil (1904-1977) apreenderam de maneira seminal o desenrolar factual da dinamicidade da experiência histórica. Estes três pensadores se apresentam a nós como grandes expoentes da compreensão da nossa própria atualidade, muito embora localizados em vertentes distintas. Foucault parte do que denomina de arqueologia do(s) saber(s), desenvolvendo uma minuciosa análise das formações discursivas que nos permitem entender o processo de molde da conduta e das ações humanas no quadro de relações de poder. Ricoeur se situa no âmbito de uma hermenêutica filosófica, vectora da tomada de consciência da existência por meio da decifração dos símbolos que constituem a cultura, revelando o sentido do fazer humano. Weil, a seu turno, busca articular numa lógica da filosofia a totalidade dos discursos determinados a partir das atitudes humanas na história, em que a diversidade se mostra como irredutível, mas não insuperável ao pensamento. Contudo, o ponto de interseção dos três pensadores está na concepção da história como o lugar de efetivação dos discursos.

É neste horizonte que se pretende desenvolver o debate, que terão lugar nos Colóquios propostos, que tem por tema principal a relação entre Pensamento e História e por objetivo alcançar uma compreensão mais clara da contemporaneidade.

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