segunda-feira, 3 de julho de 2017

A OPRESSIVA AMBIGUIDADE DA FORÇA

Texto de Alessandro Pucci, tradução Albio Fabian

A força no sentido mais amplo, é positiva ou não? Se a força é um bem,  porque sentimos o dever moral de estar com os mais fracos, uma opção pelos desfavorecidos? É uma questão decisiva que atravessa o coração da linguagem, é por este viés que o texto caminhará com o problema. Dito que é a linguagem que constrói a nossa ideia e a orienta os juízos, ocorre em analisar a linguagem para definir uma volta por todas coisas em si entendidas por força, e as coisas entendidas pela fraqueza. Basta pegar qualquer palavra para entender como uma possui intensidade e como a outra é vaga.

Os sinônimos de fraqueza são sempre e unicamente negativos: defeito, falha, irresolução, fraqueza, volúvel. Ao contrário aqueles relativos a força são ambivalentes. A força é entendida como energia, vigor, vitalidade, virilidade, sanidade, mas contém também significados reprováveis.  Aqui reside como  fato ela é também maldade, prepotência, a brutalidade e a força. Uma disparidade, uma assimetria, que pode ser exemplo para não compreender a força como absoluto.

A capacidade de imaginação é acessória a linguagem. Ela concede para a força a chance de ser usada como bem e também ser como mal, diante da fraqueza que esta opção ela é negada. A linguagem se limita a fazer emergência, o que é radicalmente implícito em nossos valores: a cultura, a história, os valores, o sentimento mesmo, parece apostar na força acreditando sempre na fraqueza.  Ou melhor, a linguagem, ao que parece, inequivocamente constrói sua celebração na força, enquanto os verdadeiros sentimentos por nada. 


A linguagem, ao que parece, é gerada da região da força, enquanto os sentimentos ao que que parece, são mais afins da razão. Tomemos por exemplo, ao amor. Quando amamos o nosso amor autêntico se mostra frágil como pelúcia, submisso e doce, desarmado como uma criança, então podemos obter um terrível dilema. Se o amor real existe, então a fraqueza é a essência de outra coisa e a força é a sua aparência, é seu engano, a sua sobra, o seu equivoco original. Ou, seu pecado não perdoado. Ao contrário, a força é essência, a força é o fundamento da vida e da história, então quando amamos engamos, porque o amor não existe senão como sublima ilusão e divertido acessório. Desculpe .