quinta-feira, 8 de junho de 2017

ESCRITAS DE SEXUALIDADES PERIFÉRICAS E DESVIANTES


Encontra-se aberta a chamada para o Enlace Temático "Escritas de sexualidades periféricas e desviantes" a ocorrer no âmbito do V Enlaçando Sexualidades, que acontecerá de 06 a 08 de setembro no Fiesta Bahia Hotel em Salvador, Bahia. São acolhidas propostas de trabalhos, pelo endereço http://www.enlacandosexualidades.com.br/, até 19 de junho. ​
Escritas de sexualidades periféricas e desviantes
Mauren Pavão Przybylski (PNPD/CAPES- UNEB/Pós-Crítica)
​José Ricardo da Hora Vidal (SEC-BA/ UNEB- Pós-Crítica)
​Vyrna Isaura Valença Perez (UNIME/UNEB- Pós-Crítica)

O presente enlace pretende enfocar as escritas de sexualidades periféricas e desviantes através de um fazer científico que blasfema o ortodoxo. Considerando que o cânone ainda é excludente, pergunta-se: qual o espaço das ditas sexualidades dissidentes (RUBIN, 1989, 1984) entendendo-as aqui como relatos que partem da escrita de transexuais, prostitutas, fetichistas, praticantes de BDSM (Bondage-Dominação-Sado-Masoquismo), Podolatria, Frotteurismo, Dogging, Furries, Exibicionismo, Voyeurismo, Cronofilia, Omorashi, Lactofilia, Cross-Dressing (travestismo fetichista)swing (e outras modalidades de sexo grupal), poliamor, poneyboys/poneygirls, CulturaKinky, Narratofilia e outras práticas sexuais fora do mainstream heterossexual e LGBTT. Se o sujeito engendrado só passa a existir na medida de sua própria sujeição às regulações (BUTLER, 1997) então os supracitados não têm outro lugar senão à margem da sociedade? Entendendo, aos moldes de Foucault (1993 apud Louro 2010) que a sexualidade é um dispositivo histórico (1998), uma invenção social já que se constitui, historicamente, a partir de múltiplos discursos sobre o sexo: discursos que regulam, que normatizam, que instauram saberes, que produzem “verdades” e que é no âmbito da cultura e da história que se definem as identidades sociais (todas elas e não apenas as identidades sexuais e de gênero, mas também as identidades de raça, de nacionalidade, de classe, etc.) , identidades essas que constituem os sujeitos, na medida em que eles são interpelados a partir de diferentes situações, instituições ou agrupamentos sociais (LOURO, 2010). Acolheremos, aqui, trabalhos que pretendam ampliar a visão acerca das escritas sobre sexualidades, priorizando a produção e a gestão do conhecimento a partir de uma opção descolonial, que “ao imaginar um mundo no qual muitos mundos podem co-existir” (MIGNOLO, 2007, p.296), nos remete a um debate que enfatize esses olhares periféricos os quais muitas vezes não tem seu espaço reconhecido, mas, sempre, tem muito a dizer.