sábado, 6 de maio de 2017

PEDAL: GRUTA DE NOSSA SENHORA APARECIDA, BRAÇO FRANCÊS

O ziguezaguear da subida foi acompanhado pelo chalrar de um tucano escondido na mata. Ora para leste, ora para oeste virava. Subida ingrime. A Mata Atlântica, quase intocada fazia fronteira com a ocupação de eucaliptos, mas a beleza da mãe terra dá um tom maior sobre a ocupação irresponsável do homem. O riacho ao lado completava a sinfonia do tucano, algumas vezes, outros animais davam o ar da graça. Eis, que após 5 quilômetros de subida desvela-se o ponto de chegada. A gruta Nossa Senhora Aparecida, fincada debaixo de uma rocha e abençoada pela água gelada que insiste em correr.

Nas montanhas do Braço Francês, em Luiz Alves, encontra-se a Gruta Nossa Senhora Aparecida. Tomei acesso pelo Braço Serafim. Daí é quase tudo subida em estrada de chão pela Rua Braço Francês até chegar a Estrada Natinho da Silva, apertada, mas bem macamizada, não há folga, tudo é subida, de um lado fortes rochas fazem parede, de outro um penhasco esculpido pela água, e isso foi todo o trecho. Muitas sombras por muitas árvores. Úmido.

A gruta foi erguida após a morte de um dos irmãos de uma família que habitava aquela montanha. O pai, no auge da dor, encontrou na fé a esperança para seguir. São quase três décadas de existência da gruta e no terceiro domingo do mês, às 15hs é celebrada a Missa.

A gruta é aconchegante. Bancos antigos na sombra, onde o sol não tem alcance. Num lance maior fica o altar na proximidade da parede a mesa da palavra. A celebração religiosa feita na simplicidade que lembra o lar. A passagem se faz por dentro do lago. Água cristalina e gelada. Antes de chegar nela, uma espécie de túnel dá ao ambiente místico um ar de graça e de esperança.

Depois me mais de meia hora de sumida, diverti-me em alguns poucos minutos de descida. Um tanto radical, mas faz bem ao corpo e principalmente a alma.