segunda-feira, 8 de maio de 2017

HUMANIDADES E FILOSOFIA: SEMINÁRIO SÊNIOR 2017


O Seminário Sênior 2017, do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ), acontece no dia 19 de maio de 14h às 20h, no Rio de Janeiro. O evento visa homenagear ex-professores aposentados do IFCS, especialmente da Filosofia, mas também da História, das Ciências Sociais, bem como da Faculdade Nacional de Direito. Nestes eventos compartilhamos seus conhecimentos e pesquisas, acumulados em décadas. Temos a oportunidade de vivenciar a discussão das humanidades com uma geração mais antiga de professores.
O seminário é gratuito mas os participantes que desejem certificados devem fazer inscrição através do e-mail seminarioseniorifcsufrj@gmail.com. Mais informações na página do evento Seminário Sênior 2017.
Programa
14 h – Abertura
14:15 – Mesa 1: FILOSOFIA ANTIGA E MEDIEVAL
Profª Maria do Carmo Faria:
● De Anima - a possibilidade de participar do eterno e do divino
Na discussão com a concepção platônica da alma tal como exposta no Timeu, Aristóteles a define como 'forma do composto' e nega a possibilidade de pensá-la como anterior ao composto e/ou dotada de movimento próprio. É o composto que se move e, sendo corruptível, é pela reprodução que lhe será possível alcançar a eternidade; e este é seu impulso mais natural. (De Anima, 415b)
Profª Mª do Carmo Faria é graduada em Filosofia pela Un. Santa Úrsula em 1964, mestra e doutora em Filosofia pela UFRJ. Foi professora da graduação e da pós-graduação em Filosofia no IFCS/UFRJ de 1978 a 1992. Deixou a UFRJ para ser reitora da Un. Santa Úrsula. Além de vários artigos em revistas e livros, tem 4 livros publicados: Primeira Leitura da Metafísica de Aristóteles; A Liberdade Esquecida – Fundamentos Ontológicos da Liberdade no Pensamento Aristotélico; Aristóteles, a Plenitude como Horizonte do Ser; e Ética e Direito, Aristóteles, Hobbes e Kant.
Professor Olinto Pegoraro:
● Agostinho de Hipona, mestre do Ocidente Medieval
Serão abordados aspectos de biografia deste ícone do início da Idade Média e de sua vertente neoplatônica. Analisaremos passagens das Confissões, nas quais ele mostra suas fraquezas e grandezas.
Professor Olinto Pegoraro é graduado em Filosofia e Teologia pelo Inst. Pio XII (São Paulo, 1954), mestre em Filosofia pela Un. São Tomás de Aquino (Roma, 1963), e doutor pela Un. Católica de Louvain (Bélgica, 1972). Tem dois pós-doutorados, o primeiro nos EUA (1984), sobre valores morais, e o segundo em Louvain (1992), sobre a teoria da justiça de John Rawls. Nas últimas 3 décadas concentra suas pesquisas no campo da bioética. Professor Olinto lecionou na PUC-RJ e na Universidade Santa Úrsula, mas foi na UFRJ que trabalhou por mais de 20 anos, de 1972 a 1993, tendo coordenado a implantação do Programa de Pós-Graduação em Filosofia, em 1983. De 1995 a 2010 lecionou no Departamento de Filosofia da UERJ. Em 2010, participou da criação do Programa Interuniversitário de Pós-Graduação em Bioética, onde leciona Filosofia regularmente. É membro-fundador da Sociedade de Estudos e Atividades Filosóficas (SEAF), entidade que atuou de maneira marcante para a reintrodução do ensino de filosofia no ensino médio, e que foi responsável pela publicação de vários livros de filosofia.Além da intensa vida acadêmica, coordena trabalho social na Comunidade do Borel há mais de 40 anos. Tem inúmeros artigos em livros e revistas, e 17 livros publicados, sendo os principais: Ética é Justiça (16a edição esgotada), Ética e Bioética, Ética dos maiores mestres através da história, Introdução à Ética Contemporânea e Ética da Solidariedade Antropocósmica, seu último livro. Está em fase final de elaboração de livro sobre Direitos Humanos, a ser publicado ainda em 2017.
Professor José Silveira:
● A escolástica cristã medieval
O processo de assimilação da filosofia grega pelas filosofias cristã e islâmica.
Professor José Silveira iniciou seus estudos de Filosofia em Curitiba – PR.
Graduado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma, 1961), e
concluiu seu Doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Roma, 1964). Em 1965, iniciou sua carreira docente na PUC-PR, lecionou na PUC/Chile (1968/1969), e ingressou na PUC-RJ em 1970, como professor de História da Filosofia e Ética. Graduo-se em Direito pela UFRJ em 1974. Trabalhou no IFCS-UFRJ de 1973 a 1991, tendo sido professor dos cursos de graduação e de pós-graduação em Filosofia; chefe do Departamento de Filosofia (1982-84); coordenador dos cursos de pós-graduação, e Diretor do IFCS de 1978 a 1981. Em 1988 voltou à Europa para pós-doutoramento na Universidad Autônoma de Madrid, onde pesquisou a influência do pensamento muçulmano na filosofia medieval do Ocidente. Foi professor visitante da UERJ. Publicou muitos livros de filosofia, dentre eles Averróis: o Aristotelismo Radical; O Fundamento Psicológico do Realismo Tomista; e A Escolástica Cristã Medieval, além de alguns romances.
16:00 – Mesa 2: HUMANIDADES
Professor Lincoln De Abreu Penna
● Biografias - o indivíduo e a leitura do tempo histórico
O propósito do tema acima é analisar o gênero das biografias à luz de uma perspectiva histórica. Para tal pretende-se, a partir de um breve inventário historiográfico, apontar para as várias possibilidades de abordagens biográficas. Dentre elas serão mencionadas, como manifestações mais recentes, as biografias coletivas e as biografias partisans definidas pelo autor como auto-história, isto é, a inserção do indivíduo, sujeito histórico, no seu contexto social. Nesta modalidade nos deparamos com os chamados relatos memorialísticos, cujo valor se mede de acordo com a representatividade de quem testemunha.
Pretende-se igualmente destacar um estudo de caso, que se situa no âmbito das biografias comparadas ou situações que evocam eventuais paralelismos históricos. Nestes casos, o biografado é sistematicamente referenciado em situações de crise política. O caso que se propõe é a biografia de Floriano Peixoto, segundo presidente da República, cujo autor o enquadra na condição de encarnação do regime republicano brasileiro em suas manifestações doutrinárias e políticas; bem como em meio a suas contradições recorrentemente sentidas até hoje. Nestes casos, o conhecimento e a especificidades das conjunturas são indispensáveis para o exercício das situações a serem comparadas.
Prof. Lincoln de Abreu Penna é graduado em História pela UERJ (1968), fez o Mestrado na Universidade de Toulouse le Mirail, na França, em 1970 e o doutorado em História Social na USP, em 1994.
Lecionou no departamento de História da UFRJ de 1981 a 1996, tendo sido, dentre outros, sub-reitor para graduação e pesquisa. Suas pesquisas se concentram na História do Brasil República, principalmente nos seguintes temas: florianismo, movimentos políticos do Brasil republicano, intelectuais orgânicos e inorgânicos do Brasil contemporâneo, imprensa comunista e nacionalista. Recentemente, tem se dedicado a estudos biográficos e autobiográficos e presta consultoria política e estudos estratégicos para instituições. Presidente eleito do Movimento em Defesa da Economia Nacional (MODECON), no quatriênio 2011-2015. Além de inúmeros artigos em livros, revistas e jornais, tem 23 livros publicados, dos quais se destacam Roberto Morena, O Militante; A presidência Lula: passos e tropeços; e Caminhos da Soberania Nacional. Em 2013, lançou Uma Mulher de Luta, uma biografia de Maria Augusta Tibiriçá, militante da campanha “O Petróleo é nosso”. Seu último livro, Floriano, a encarnação da República, acaba de vir a lume.
Prof. Francisco Amaral, da Faculdade Nacional de Direito:
● O paradigma epistemológico da complexidade
A revolução científica e tecnológica do século XX, as teorias de Albert Einstein e de Max Planck, a revolução no campo da medicina, os progressos da biologia, a configuração do código genético e os mecanismos de modificação do genoma, a ecologia, etc., levam à configuração de um novo paradigma epistemológico, o paradigma da complexidade que, questionando os princípios, as teorias, os conceitos e as metodologias da era industrial, em crise, representa uma alternativa ao paradigma dominante, de culto à segurança e à certeza, valores próprios da modernidade. A complexidade como condição contemporânea, que afeta o cientista, o filósofo e o jurista.
Professor Francisco Amaral é graduado em Ciências Jurídicas (1967) e Doutor em Direito Civil (1982) pela UFRJ. É Doutor Honoris Causa na Universidade Católica de Lisboa (2000) e na Universidade de Coimbra (2007). Lecionou na Faculdade Nacional de Direito da UFRJ de 1988 a 2015, tendo se aposentado como Professor Titular de Direito Civil. Principais publicações: Da irretroatividade da condição suspensiva no Direito Civil Brasileiro; e Direito Civil, que está na 8ª edição.
17:00 – Sessão de autógrafos de livros dos professores
17:30 – Mesa 3: FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA
Professor Luigi Bordin
● Escola de Frankfurt
A crítica à indústria cultural e a repressão da sociedade tecnológica e tecnocrática, a partir do pensamento dos mestres da suspeita: Marx, Nietzsche e Freud.
Prof. Luigi Bordin é graduado em Filosofia pela Un.Federal de S.João del Rei (MG), e Mestre (“Heidegger e Adorno: Ontologia e Dialética em confronto”), e Doutor (“O marxismo e a Teologia da Libertação”) pela UFRJ.
Foi professor de Filosofia Social e Política na graduação e pós-graduação do Departamento de Filosofia no IFCS-UFRJ de 1987 até 2007, que chefiou de 2002-04. Lecionou nas faculdades de Letras, Psicologia, Sociologia e Educação de nossa universidade, bem como na Faculdade de Direito da Un.Cândido Mendes.
Suas pesquisas se concentram nos pensamentos de Gramsci, Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Walter Benjamin, Simone Weil, Hannah Arendt, Emanuel Lévinas, Antonio Negri e Paulo Freire. Também se dedica ao estudo da Mística e da Teologia Cristãs contemporâneas. Tem vários artigos em livros e revistas, do Brasil e da Itália.
Professora Maria da Graça Schalcher
● Merleau-Ponty e os gregos
A partir das alusões a Sócrates na aula inaugural no Collège de France (1953), pensar possíveis relações entre Merleau-Ponty e os gregos.
Profª Maria da Graça é filha do IFCS/UFRJ. Fez aqui a graduação, o mestrado e o doutorado, em pesquisas que se concentraram no pensamento de Merleau-Ponty, mas também dedicou-se à Filosofia Antiga, especialmente Platão e Aristóteles. Conviveu como colega de departamento com mestres como Gerd Bornheim e José Américo Motta Pessanha. Aposentou-se em 2005. Manteve laços informais e afetivos com o PPGLM e o grupo PRAGMA de Filosofia Antiga.
Professora Elena Garcia
● Filosofia e literatura francesa no século XX
Como os filósofos entendem a literatura, e a presença da filosofia nas obras literárias de Marcel Proust, Maurice Merleau-Ponty, Albert Camus e Jean-Paul Sartre.
Professora Elena também é “filha” do IFCS: fez aqui a graduação (1966), o mestrado (1980) e o doutorado (1985) em Filosofia. Ainda em 1985, concluiu um segundo doutoramento, em Strasbourg II (França).
Trabalhou no IFCS de 1968 a 1994, tendo lecionado na graduação e de pós-graduação em Filosofia. Professora Titular aposentada da UERJ, onde trabalhou desde 1985, foi professora convidada e pesquisadora visitante sênior nacional. Concentra suas pesquisas na relação entre Filosofia, Ciência e Arte.
Professora Marly Bulcão
● A casa onírica: imaginação, criação e instante.
O tema central da palestra é mostrar através da metáfora da casa onírica em que consiste a noção de imaginação criadora para Bachelard, enfatizando a relação desta com a idéia de tempo como instante. Inaugurando uma perspectiva original, Bachelard exalta a abordagem da imaginação a partir de um enfoque eminentemente estético.
Professora Marly Bulcão também é “fïlha” do IFCS/UFRJ: fez aqui Graduação (1963), Mestrado (1979) e Doutorado (1990) em Filosofia. Em 2002 fez pós-doutorado no Centro de Pesquisas Gaston Bachelard da Un. de Bourgogne em Dijon (França). Iniciou sua carreira de Professora de Filosofia no Colégio Pedro II. Lecionou no Departamento de Filosofia do IFCS-UFRJ de 1980 a 1994, e da UERJ de 1994 a 2009. Atualmente é Pesquisadora Visitante Sênior na UERJ.
Dedica-se à Epistemologia e à Filosofia da Ciência, especificamente à obra de Bachelard. Atualmente, concentra suas pesquisas na vertente poética do filósofo, e na relação entre Filosofia e Cinema.
Principais publicações: Luz, Câmera e Filosofia: Mergulho na Imagética do Cinema; O Gozo do Conhecimento: François Dagognet diante da ciência e da arte contemporânea; Bachelard: un regard brésilien, Proménade Bresillienne dans La poétique de Bachelard; e O racionalismo da Ciência Contemporânea: uma introdução ao pensamento epistemológico de Gaston Bachelard.