quarta-feira, 12 de abril de 2017

CONTRASTES

Há uma frase de Mário Quintana que diz, “a felicidade bestializa, o sofrimento humaniza”.

Vivemos um momento de intensificação na coisificação do ser humano. O homem é visto apenas como uma peça num tabuleiro de xadrez. O bispo derruba a torre. O cavalo se sobrepõe ao peão, e a rainha, bem... a rainha come todo mundo...

Armas químicas foram jogadas sobre crianças na Síria.
Os Estados Unidos lançaram 59 mísseis em quatro minutos sobre a Síria.
Milhares de sírios fogem em barquinhos pelo mar em busca de esperança.
Mas europeus negam a esperança com medo ao terrorismo.
Uma bomba explodiu perto do ônibus do Borrussia Dortmund.
Antes disso, um caminhão atropelou dezenas em Estocolmo.
E muitos cristãos foram mortos no Egito.
E nós, cá, entre nós, bem baixinho, discutimos quem vencerá o BBB...

A felicidade bestializa quando ela é coisifica.
Coisa.
Objeto.
Presente sem nexo, sem sentimento.
O brinquedo que meu filho quer.
A flor que minha esposa deseja.
 A camisa de futebol que ele tanto aprecia. O chocolate.

Os maias usam chocolates em rituais sacrossantos. Hoje desvirtuamos os rituais. Eles também formam coisas. Momentos sociais e apenas isso.

E a felicidade? Talvez mais besta que ela é o humano.

Desumanizado.

Parece que só a morte na própria pele nos faz humanos.

Sentimos a dor numa tragédia. Choramos com Chapecó em novembro. Mas novembro, já faz tanto tempo.


Mas quem é o que está o meu lado, feliz ou humano?