sexta-feira, 24 de março de 2017

EPISTEMOLOGIA: LEITURA COMPLEMENTAR

1. Visão geral sobre a Teoria do Conhecimento


2. Noções introdutórias

Embora aparentemente simples, as questões do que é e para que serve a filosofia estão entre as que mais dificuldades e divergências causam entre os filósofos. Esse mero fato, porém, já indica algo importante sobre a natureza da filosofia: o questionamento sistemático, incessante e profundo de tudo o que se afirma.

É comum caracterizar-se a filosofia como aquilo que fazem os grandes filósofos: Platão, Aristóteles, Tomás de Aquino, Descartes, Locke, Hume, Kant, entre tantos outros. Embora pareça circular, essa definição também ajuda a delinear o domínio dessa disciplina, desde, é claro, que se estudem as obras desses homens. Quando fazemos isso damo-nos conta de que existe uma ampla variação nos problemas, teses e métodos que se consideram pertinentes à filosofia.

Voltando às origens da filosofia na Grécia Antiga, notamos que, pela própria etimologia do termo, a filosofia era entendida como o amor ao saber, ou a busca da verdade. Naquela época e, em certa medida, por muitos séculos da era cristã, a filosofia englobava todos os ramos do conhecimento puro (em contraste com as artes e ofícios). Só gradualmente é que alguns deles foram se tornando autônomos, como a matemática, a astronomia, a história, a biologia, a física. Em particular, a distinção entre filosofia e ciência é bem recente, esboçando-se no início do período moderno, no século XVI, e acentuando-se nos séculos seguintes.

Hoje em dia costuma-se considerar pertencentes ao tronco principal da filosofia as disciplinas da estética, lógica, ética, epistemologia e metafísica, sendo que as duas primeiras mostram tendência à autonomização. De forma muitíssimo simplificada, pode-se dizer que a estética examina abstratamente a beleza e a feiúra; a lógica investiga o encadeamento formal das proposições; a ética estuda questões relativas ao bem e ao mal, aos direitos e deveres; a epistemologia ocupa-se do conhecimento, suas origens, fundamentos e limites, enquanto que a metafísica procura especular sobre a natureza última das coisas. Fora esses ramos fundamentais, há ainda diversos outros que resultam de suas interconexões e especializações, como por exemplo a filosofia política, a filosofia da linguagem, a filosofia da ciência, a teologia.

Uma das principais correntes filosóficas contemporâneas propõe que a filosofia não deve ser entendida como a formulação ou defesa de teses ou conjuntos de teses sobre o que quer que seja, mas simplesmente como o desenvolvimento de métodos de análise crítica e sistemática, a serem aplicados especialmente ao chamado conhecimento científico. Nessa perspectiva, o filósofo seria alguém que tenta explicitar os conceitos, os pressupostos, a estrutura lógica e as implicações das teorias científicas, políticas, religiosas, etc. Semelhante atitude crítica ¾ mas não de uma crítica leviana, estouvada ou interesseira ¾ seria a essência da filosofia, o elemento comum que permearia a grande variedade de linhas filosóficas já concebidas.

Embora quando se olhe para as abstrações e sutilezas tipicamente discutidas pelos filósofos se possa concluir que a filosofia para nada serve ¾ e não poucos filósofos concordariam com isso ¾, a referida proposta talvez permita encontrar, num plano seguramente afastado do das necessidades materiais cotidianas, uma finalidade útil para a filosofia: a clarificação das bases, métodos e implicações das ciências e de outras disciplinas intelectuais, contribuindo-se assim para a identificação de fundamentos falsos ou inseguros, de falácias argumentativas, de dogmas encobertos.
Ensinando, ou pelo menos convidando, o homem a refletir criticamente sobre tudo o que se afirma ou faz em todos os setores, a filosofia de alguma forma auxilia o aprimoramento de seu intelecto e, talvez, de seus sentimentos, que o diferenciam de um mero animal que come, bebe, dorme e se reproduz.

Sugestão de leitura:
RUSSELL, B. The Problems of Philosophy. Oxford, Oxford University Press, 1983. (Ver, especialmente os capítulos 14 - The limits of philosophical knowledge e 15 - The value of philosophy.)

Original: http://www.ditext.com/russell/russell.html

Tradução de Jaimir Conte: http://www.cfh.ufsc.br/~conte/russell.html

3. Epistemologia

A epistemologia, também chamada teoria do conhecimento, é o ramo da filosofia interessada na investigação da natureza, das fontes e validades do conhecimento humano, mais especificamente sobre a verdade científica. Entre as questões principais que ela tenta responder estão as seguintes: O que é o conhecimento? Como nós alcançamos a verdade? Podemos conseguir meios para defendê-lo contra o desafio cético (descrença)? Essas questões são, implicitamente, tão velhas quanto a filosofia, embora seu primeiro tratamento explícito seja o encontrado em Platão (427-347 a.C.), particularmente no Teetetos. Mas primordialmente na era moderna, a partir do século XVII em diante - como resultado do trabalho de Descartes (1596-1650) e Locke (1632-1704) em associação com a emergência da ciência moderna - a epistemologia tem ocupado um plano central na filosofia. Um passo óbvio na direção de responder a primeira questão é tentar uma definição. A definição padrão é a de que o conhecimento é uma crença verdadeira justificada. Esta definição parece plausível porque, ao menos, ela dá a impressão de que para conhecer algo alguém deve acreditar nela (na crença), visto que, a crença deve ser verdadeira, para o sujeito que aceita esta crença como verdade. Mas o que é a verdade? Em grego significa aletheia, significando o não oculto, não-escondido, não- dissimulado. É aquilo que está em nossos. olhos, aquilo que existe como tal, que é visível pela razão. Sendo assim, conhecer é dizer que a verdade esta na realidade, daquilo que a realidade manifesta. Em latim, verdade significa veritas, que é precisão de um relato que se diz tudo em seus mínimos detalhes o que aconteceu. Então, refere-se à linguagem, da narrativa dos fatos ocorridos. Assim, um fato é dotado de veracidade quando a linguagem anuncia fatos reais. Neste sentido, a verdade não está nas coisas e sim na linguagem, no relato. Seu oposto é a mentira e a falsificação. Portanto, as coisas e os fatos são reais ou imaginários, como será o verdadeiro ou falso. Em hebraico se diz emunah, que é confiança. É uma verdade fundada na crença, na espera do que será ou virá. Então, aletheia refere-se às coisas que são; veritas aos fatos que foram e emanah refere-se às coisas que serão.


Postado por Alan Schneider em http://epistemologiapucpr.blogspot.com.br

4. Teoria do Conhecimento: Johannes Hessen