segunda-feira, 20 de março de 2017

CURTO, LOGO DESISTO ... [DE PENSAR]

Testemunhei em primeira mão a força das ideias. Vi gente matar em nome delas e morrer defendendo-as. Mas você não pode beijar uma ideia. Não pode tocá-la ou abraçá-la. Ideias não sangram. Ideias não sentem dor. Elas não amam. E não é de uma ideia que eu sinto falta.

Do filme V for Vendetta (2006)

Onde foi que perdemos o rumo das ideias? Pergunto, pois, é comum perceber nas mídias sociais que uma foto, uma imagem ou qualquer ‘gif’ tem repercussão maior que uma ideia. Escrever virou sinônimo do “textão” e eles pouco dizem. Os desabafos recheados de sensação do instante retratam crenças superficiais que emulam uma vivência de mera passagem. Não desafiam. Não incomodam. Impulsionam para tocar e abraçar, mas sem envolvimento. Não provocam para uma reflexão. Ao mesmo que o imagético é cultuado, a cultura do imediatismo, faz a imagem desvalorizar, ter apenas um sentido de curtir, não de olhar e nem de admirar. Banalizado em si mesmo o sentido do pensar não tem importância, afinal, “pensar doi”.


Quando se passa muito tempo sem exercitar, a retoma causa desconforto. Todos os músculos doem, a sensação que os ossos se quebrarão é alta. Quando se passa muito, muito sem pensar, a retoma da reflexão dói e demarca a própria burrice que se faz consciente.