sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A BANALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Por Dulce A. Adorno-Silva
Jornal da PUC-CAMPINAS, 01 de abril de 2015

A violência cresce em nossa sociedade, o que nos leva a indagar sobre as causas da crescente reincidência dos fatos que a caracterizam e que nos assustam e geram inquietação. Ela se dissemina por meio das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), como os fatos violentos já divulgados: o massacre da escola de Denver (Colorado/Estados Unidos), que se reproduz na escola do Realengo (Rio de Janeiro), o caso da menina Isabela, o padrasto que assassinou o enteado, o nenê que foi atirado ao rio pela mãe, o caso do goleiro Bruno, entre outros casos. Mas, esses atos, para o extermínio da vida, continuam a acontecer, como os praticados pelo Estado Islâmico e, no Guarujá, o linchamento de Fabiane Maria de Jesus, feito por populares, que se arrogam o direito de fazer justiça com as próprias mãos.

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É preciso caracterizar a violência, para buscar o motivo de sua expansão no mundo atual.

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Essas características são base para que seja entendida e superada, por meio da canalização da agressividade humana. O aumento do número de casos de violência preocupa, porque a vida humana é colocada no processo do consumo desvairado, pois pode ser descartada como um objeto qualquer. Isso ocorre porque a banalização da violência se insere no avanço da tecnologia; a sociedade se modifica e modifica o ser humano que a constitui. As informações veiculadas e repetidas todos os dias, em vários horários, pelas emissoras de televisão tornam a violência comum, como também fazem os games.

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A percepção do outro e o respeito a ele não podem ser deixados de lado, porque é o modo como a criança se torna cidadã. A mudança não pode ser repressiva como a que acontece atualmente, nos Estados Unidos, pois se a criança é obrigada a aprender em “campos de concentração”, é porque os pais não sabem colocar limites em seus próprios filhos. Por isso, são os pais que precisam de orientação psicológica para adquirirem formação, a fim de educarem com respeito, sem atitudes repressivas, que caracterizam o sadomasoquismo.

Portanto, devemos ter consciência de que, se pretendemos viver em uma sociedade democrática e aberta, devemos considerar que – vale a pena relembrar – a liberdade de cada um, considerada junto a do outro, é o princípio básico para o exercício da sociedade humana.


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