quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

VENEZUELA: RISCOS DE UMA OPERAÇÃO PREMEDITADA

Texto de Marcelo Cantelmi, Clarin.

O economista e deputado opositor José Guerra fez uma comparação ilustrativa, porém dramática, para explique a atual crise monetária que se instalou subitamente dentro da grande crise geral que vive a Venezuela. “É como um homem que tem no momento da metade do seu sangue e alguém solicita que ele continue correndo”, afirma.

A base monetária do pais tem um bilhete de cem bolívares de representa 60% da moeda circulante do país. O corretivo aplicado pelo governo, que anulou a circulação deste bilhete não representa, ao menos imediatamente, o pouco que se move da economia venezuelana, que tem perdido um quarto do seu PIB no último semestre. O problema é mais amplo. As razões desta medida são em parte, um universo de especulações num país atribulando, onde há abastecimento normal, mas as pessoas não sabem a cada dia o que comerão e nem quanto, a inflação é uma guilhotina enorme para a mesa e para os que menos ganham.

O governo de Nicolás Maduro tem justificado a nova e extravagante conspiração que consideram que parte do mundo acabará com as notas de 5 dólares. Presumo que assim, a dado um golpe na mídia digitada deste Miami, Espanha e Colômbia. A busca por inimigos externos que eximem o regimento de suas próprias irresponsabilidades é uma artimanha comum na autocracia bolivariana.

A sensação que existe um interesse premeditado das consequências da mudança que tem viciado um instante as moedas venezuelanas. Os saques e protestos que se estendem pelo país são uma ameaça que se multiplicam. Acostumados com os excessos os regimes poderiam despertar a adoção de medias excepcionais de controle político. Seria o pretexto para ir contra o congresso em mãos opositoras e tentar estreitar a aliança dissidente que, atrás do fracasso do diálogo mediado pelo Vaticano. Apenas temos enfrentado a alterativa de endurecer. Esta agenda de colapso tem uma aspiração mais imediata que é cancelar, por força das eleições de governadores que se anunciam como uma formidável derrota para o chavismo devido a abissal crise.

Pode parecer sem sentido, porém, a nomenclatura chavista tem perdido força e a esperança da retomada do preço do petróleo que permitiria oxigenar a economia. A suspensão do Mercosul, e o fracasso da proposta de Maduro são indicadores que ameaçam toda a região e que pode marcar que os tempos de chavismo estão acabando.