quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

SERIA SIMEONE O MELHOR TREINADOR DE 2016?


Texto de Alfredo Relaño, Jornal As, 28/12/2016

 A IFFHS, célebre por suas decisões polêmicas, anunciou o nome de Cholo Simeone como melhor treinador de clubes em 2016. Decisão que será muito discutida, claro. Se dizer quem é melhor, o Cristino ou Messi já é polêmico, que jogam a mesma bola, tanto mais difícil é comparar treinadores, que jogam com distintas equipes, distintos presidentes e distintos objetivos. Simeone foi premiado, porém, em um ano que terminou sem título, diante de Luís Enrique (sexto), que venceu Copa, Liga e Supercopa espanhola, e de Zidane (segundo), nova na praz, mas venceu a Champions, a Supercopa Europeia e o Mundial de Clubes da FIFA.
  
Claro, que Simeone, joga com piores cartas, dito sem intenção de desmerecer seu time. Não sei se a classificação apontada pela IFFHS contempla o detalhe, mas é convincente perceber variações. Pela minha parte, não vejo que este ano tenha sido o momento de Simeone, que na Champions perdeu quando em Madrid, entrou em colapso, não realizou trocas e pareceu perder o elenco. Confundiu seus jogadores. Oscila nos resultados, e insinuou sair do time. São sintomas que nos últimos meses do ano que está perdendo a liderança junto aos jogadores. Os resultados em campo não são os mesmos.
  
Os maiores méritos não estão no presente. Em cinco anos, Simeone transformou o Atlético, que havia perdido seu lugar natural de terceiro da Espanha, em membro de pleno direito do clube exclusivo dos “top da Europa”. Foi uma grande tarefa, porém, este prêmio chega quando há sintomas de esgotamento. Gerou menos dúvida em oferecer o prêmio de melhor treinador, Fernando Santos, que com sua mensagem e sua autoridade e método, levou Portugal por cima de sua própria história, ao nível de campeão da Eurocopa. Com futebol egoísta e sem riso, é verdade, mas, desculpável, porque tinha jogadores com menos qualidade que outros.