sábado, 24 de dezembro de 2016

NATAL FELIZ?


Somos apenas máquinas? Feitos de fazer, ações após ações, rumando o tempo inteiro a metas, objetivos, conquistas? Somos apenas isto? O que fizemos com os nossos desejos com os nossos sonhos mais verdadeiros? Maquinizamos com o tempo, como uma crença boba num velho barbudo de saco vermelho, ele é coisa de criança e a magia de natal apenas um desejo igual a todos.

O que queríamos de fato na infância foi moldado por ações externas. Cartas a papais noeis indicando um comportamento não-natural, mas um comportamento de submissão a desejos alheios, é bom comportar-se, diria um adulto qualquer. Um desejo produzido por um meio que opera em lógicas de fechadas de adestramento.

O verdadeiro desejo transborda qualquer dicotomia comportamental. Por diversas possibilidades o verdadeiro desejo é perdido naquilo que muitos chamam de amadurecimento. O passar dos anos desconecta o desejo in natura transformando-o em desejo maquínico, produzido em série para atender a tudo e a todos, menos a si próprio.

O corpo sob a pele é uma fábrica superaquecida, e por fora, o doente brilha, reluz, em todos os seus poros, estourados (Antonin Artaud, Van Gogh: le suicide de la société, Paris, K Éditeur, 1947).

As máquinas desejantes só funcionam desarranjadas, desarranjando-se constantemente (DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix, O anti-édipo: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo, Editora 34, 2011, p. 20)

Feliz Natal ou Natal Feliz?