segunda-feira, 3 de outubro de 2016

PROFISSÕES SEM CRIATIVIDADE SOFRERÃO ALTERAÇÕES

Fonte: Folha de S. Paulo
http://folha.com/no1817699

A previsão é do pesquisador Silvio Romero de Lemos Meira, referência no país em tecnologia e inovação.

Deve-se permitir em sala de aula o uso de dispositivos digitais?
O problema nunca é a tecnologia, mas as práticas associadas a ela, que podem ou ser um vetor de destruição de tempo, de atenção, ou de engajamento e produtividade. Você está num sushibar e o sushiman faz sashimi na sua frente. Esse uso da faca é fantástico e belo. De repente ele pode surtar e degolar você, com a mesma faca. O problema não é a faca, mas o método, o processo, o fim.

E quais são as atividades mais ameaçadas de extinção?
As que podem ser informatizadas mais rapidamente. Boa parte do trabalho de advogados é pesquisar a jurisprudência e, a partir daí, preparar a síntese dos argumentos que serão usados para defender ou atacar. Já há softwares que fazem isso. É melhor do que pôr um time de advogados para fazer. Não é trabalho de alta complexidade cerebral, mas de busca, organização, correlacionamento. Não precisa ser ministro do STF para fazer. Há profissões relevantes agora e que vão sumir. Se informatizarmos as ruas, não haverá placas, faróis. O carro não vai estacionar onde não pode, a rua o informará disso. O guarda de trânsito já era. Imagine informatizar todo o dinheiro. Não há mais dinheiro físico circulando. Se é virtual, as transações ficam registradas. Minha contabilidade é sistêmica. Não tenho mais contador. Desaparece.

Quais as profissões do futuro?
A profissão do futuro é escrever software. Veja a figura do professor criativo, que cria o material, o método. O que repete o material na sala de aula não está no futuro. O que cria, está. Simples assim. O que deve ser feito, não por governos, mas por cada um, é entender que a carreira é um longo processo de construção de conhecimento. Se você não estiver aprendendo como sua profissão vai mudar e ser substituída por novos exercícios, fatalmente vai bater no teto da carreira e não terá como ir para outro lugar.