domingo, 21 de agosto de 2016

OBRIGADO DUNGA, SOMOS MEDALHA DE OURO!


Como as coisas são interessantes. Se Dunga não tivesse caindo após a Copa América Centenária, ele seria o treinador olímpica e ainda estaríamos reféns de um futebol desorganizado a moda do “joga” pro Neymar. Muito embora, os dois primeiros jogos da seleção me fizeram ver um futebol muito pior que aquele apresentado pela segunda era Dunga. A partir da vitória sobre a Dinamarca, no terceiro jogo da primeira fase, houve um time. É legal, o Brasil venceu, vamos comemorar, mas a medalha de ouro não retrata a situação do futebol que vivemos. Já a prata da Alemanha retrata, afinal foram duas medalhas e uma copa do mundo, um estilo de jogo. O time germânico pensa em metas a longo prazo e valoriza projetos e não apenas competições, como o futebol no Brasil é pensando. O projeto é tão valorizado, que a seleção alemã que para cá veio, nem a principal sub-23 é e assim mesmo jogou dentro de um esquema tático claro para além das peças. A medalha de ouro é importante, porém, há limites que devem ser respeitados como o fraco nível técnico desta competição. Esta medalha é somente mais uma dentre as centenas disputadas. Importante pela bravura dos que a conquistaram, mas ela não pode mascarar os problemas estruturais do futebol. 

Ao perceber o jogo do Brasil é evidente a ausência de um meia armador. A seleção jogou, a moda Marcelo Oliveira, em momentos com dois volantes, e quatro atacantes. Mas é muito chato porque não há criação, não há beleza. A ausência da criação, obriga o jogador acima da média, de Neymar, recuar para construir. Distanciar Neymar da área é carecer de jogadas de gol. Aqui está o mérito e o monstro do treinador. O mérito, de diferente de Dunga, perceber que Neymar devesse flutuar em campo, não o prendendo em uma posição, e o mostro ele é distanciado do gol. O resultado final pode mascarar, mas é um problema que voltará no próximo jogo pela eliminatórios, frente ao Equador, nas próximas semanas.