segunda-feira, 1 de agosto de 2016

CONSIDERAÇÕES SOBRE O EVENTO



Acredito que a participação em congressos acadêmicos pode dar ao pesquisador novas perspectivas. A princípio este espaço deveria ser um lugar para dialogar com outros pesquisadores. Aproveitei este Simpósio para discutir um texto que escrevi ao longo do ano e pude ter contado com outras referências. Mas o que fico chateado com a lógica capitalista da produção acadêmica em série é a ausência de um verdadeiro debate. As pessoas não estão tão dispostas a aprender com as outras. Acadêmicos que vem apenas para sua apresentação, outros que ao ouvir a pesquisa de outrem querem impor seus pensadores, como se estivéssemos em linha teórica única. Certa decepção. Um evento que quer falar de História da Religião, mas desconsidera presenças históricas. Como experiência primeira, fiquei com a impressão de um evento feito sem o cuidado de detalhes.

Da última mesa que participei sai de lá muito incomodado. Um pela ausência do debate, e outro pelas ideias. A pesquisadora começou sua fala com uma frase impactante. Fazer ciência é um ato político. O poder posto na política nos deixa mudo. A colonização se encerrou, mas a colonialidade continua em voga. Um bom exemplo é a construção ministerial de ocupação de Michel Temer, uma brancura, masculinidade e uma força política religiosa desigual. O estado republicano moderno é violento contra a mulher como também deixa evidente que as conquistas por meio das políticas públicas não são conquistas seguras. A luta continua, pois a colonialidade é uma ação contínua sobre os que já foram colonizados. O Estado político ligado ao poder assemelha-se a uma ave de rapina de elimina e exclui as classes díspares, vide como negros, mulheres, pobres e interioranos são tratados neste país. Como se retomássemos o conceito grego antigo de homem livre. Paradoxalmente vive-se o crescimento de igrejas fundadas por mulheres que afirmam receber o chamado de Deus para tal. Igrejas que não estão preocupadas qualitativamente, mas que vivem em função da realidade circundante. Uma igreja que nasce a partir de garagens e de realidades específicas.

Acrescentaria ainda #Fora TEMER