sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A AÇÃO DO FILOSOFAR: POST N. 2000

Estou feliz em completar 2000 posts neste momento do ano. Um conjunto de acontecimentos e de experimentações que convergem para um momento singular de reflexões e acontecimentos. Ontem, 18 de agosto, tive a oportunidade de dialogar com o professor Sílvio Gallo onde muito aprendi e a partir dele que fabriquei algumas linhas para o post de número redondo. Por diversos momentos uso das Redes Sociais Virtuais (RSV) para provocar, questionar temas de ordem polêmica e “semear a discórdia”. Em alguns momentos sou grosseiro, em outros simplesmente ignoro opositores. Ontem ouvia Sílvio Gallo questionar, entre outras coisas, qual seria o atual Mercado de Atenas para o exercício do pensamento socrático? Em artigo publicado na revista E-tech (http://revista.ctai.senai.br/index.php/edicao01/article/view/395) escrevo sobre a ágora virtual. Já pensou um perfil Sócrates discutindo neste campo? Voltando a Sílvio Gallo, outra coisa que ele chamou atenção, foi sobre o papel da filosofia, enquanto componente curricular do Ensino Médio. A filosofia não pode ser apenas mais uma disciplina entre a dezena já ofertada, como também não pode reduzir a história da filosofia. Então, o que ser?

A resposta para esta última questão, a penso partindo da Introdução de O que é filosofia? de Deleuze e Guattari. Nas vozes dos pensadores franceses, a filosofia é a arte de formar, de inventar, de fabricar conceitos […]. Os conceitos, como veremos, têm a necessidade de personagens conceituais que contribuam para sua definição. O amigo é um desses personagens, um debate interessante a partir dos pensadores, mas que por ora, vou suspender.

Pensar a ideia de amigo é também pensar uma relativa intimidade. Então, na junção da provocação de Gallo com a de Deleuze e Guattari poderia agregar um olhar para pensar RSV, quem sabe, pensar ciberamigos. Neste espaço é que o filósofo hodierno, junto com os estudantes de Ensino Médio poderiam fabricar e desfabricar conceitos. Um movimento de construção do pensar e da desbanalização do dito por meio de redes de amizade. Ao filosofo caberia a provocação com os amigos e não a defesa de ideias. Em debates virtuais encontro alguns que param e questionam, mais do que as ideias, a si mesmo, e outros que cegos de suas verdades, as repudiam. Aos que pensam, a continuidade da fabricação de conceitos, aos cegos, melhor deixá-los no fundo da escuridão da caverna, ou da ignorância (um salve ao mano Platão!).  Entretanto, “é próprio da amizade conciliar a integridade da essência e a rivalidade dos pretendentes” (DELEUZE; GUATTARI, 2010, p. 10).  Por que não transcender a normalidade do Ensino Médio, intercruzando com o ciberespaço?

O filósofo é o conceito em potência. Os conceitos, de maneira geral, não estão prontos, dados e colocados e aqui cabe o pensar de Nietzsche também, onde a figura do filósofo cabe a não aceitação dos conceitos que lhes são dados, mas é necessário, nas palavras de Deleuze e Guattari a fabricação destes. Então, a realização de postagens ácidas e polêmicas é uma ação própria do filósofo hodierno. A provocação para que outras possam sugerir a fabricação de conceitos. A maiêutica com a ironia.

“Toda criação é singular, e o conceito como criação propriamente filosófica é sempre uma singularidade” (DELEUZE; GUATTARI, 2010, p. 13). O debate em torno de ideias cegas é ineficaz. Os debates dogmáticos nas RSV evidenciam ideias universais e não geram uma criação filosófica, pois desejam abarcar tudo e todos em torno de algo único e totalizante. Algo muito próximo do que o capitalismo pretende.

“Tanto mais o conceito é criado, mais ele se põe” (DELEUZE; GUATTARI, 2010, p. 18).

REFERÊNCIA:
DELEUZE Gilles; GATTARI, Félix. O que é filosofia? São Paulo: Editora 34, 2010.