quinta-feira, 28 de julho de 2016

AS DANÇAS NOS RITUAIS VODU NO HAITI: COMUNICAÇÃO NA ABHR



No quarto e último dia do Simpósio Internacional da ABHR acompanhei o trabalho da pesquisadora Patrícia Pires Thomazelli (FURB), no Grupo de Trabalho Arte, corpo e religião. Ela apresenta uma leitura a partir de rituais vodu no Haiti. Da apresentação, destaco dois pontos, o contexto e a comunicação.

CONTEXTO
O título me chamou atenção pela curiosidade mística do tema. Tenho a imagem de uma produção cinematográfica dos rituais de "zumbinação" produzidas pelo vodu, uma leitura equivocada, mas reforçada pelo imaginário televiso e da televisão. A pesquisadora apresenta uma proposta reflexiva onde o vodu vai ultrapassa esta a visão ridicularizada pelo cinema. Apresenta uma prática cultural. O termo vodu, etimologicamente, é uma corruptela de vodum que significa divindade ou espírito. O vodu desenvolve-se no território haitiano dentro de uma perspectiva colonizadora francesa que assumiu o catolicismo como ritual religioso num espaço heterogêneo que congrega colonos, escravos e nativos. No território dos menos favorecidos, longínquos do espaço urbano colonial o vodu desenvolve-se como um sistema cultural e de crenças, a pratica religiosa católica oficializada e as vivência de imagens e símbolos vodus como prática cultural cotidiana. Vodu pode ser religião ou cultura.

COMUNICAÇÃO
O ougun não controla o contato com o mundo dos deuses. O vivente se comunica com o sagrado através da possessão. Todos os rituais religiosos do vodu são expressões de crenças realizadas através de percussão, cantos e outros que manifesta um encontro com os ancestrais. O corpo, através da dança, estabelece uma comunicação entre o indivíduo - hospedeiro - e o transcendente.   A comunicação não cessa com o fim da vida. A morte traz um sentido de renascimento, de continuidade. O corpo com movimentos sexualizado traz a ideia de continuidade e não de finitude com a morte. O processo de choque cultural entre os envolvidos na ilha haitiana, inter-relacionou, ou criou um hibridismo nas palavras da apresentadora, carregou consigo a mistura entre elementos nativos, afros e cristãos.

Autores sugeridos pela apresentadora foram Leilie Desmangle e Lynn Martin.


Com a apresentação, fiquei com uma dúvida. A entrada de haitianos em território brasileiro produz impactos culturais e como estes impactos dão continuidade a prática cultural vodu para os que estão aqui?