domingo, 19 de junho de 2016

JOVENS FRUSTRADOS

Escrito por A Japa

Com 26 anos e finalizando minha segunda graduação ainda me pergunto o que eu quero fazer da vida. Recentemente estive em uma feirinha de rua vendendo bolinhos (3ª profissão da minha vida) e me peguei em uma conversa com um senhor que olhava os livros que estavam à venda ao meu lado.  Dessa conversa destaco pontos relevantes no texto abaixo.

A sociedade e a sua opressão

Quando tinha 17 anos era aluna exemplo em minha escola, motivo de orgulho para meus pais e, claro, para eu mesma. Como exemplo, me senti obrigada a decidir o que queria da minha vida. Meu pai trabalha há 35 anos na mesma empresa e eu sonhava em ser como ele. Mas, o terceiro ano do ensino médio foi passando e eu não conseguia me decidir. O que causou certa frustação em meu pai, aquele que tanto queria agradar, pois, como o sonho dele era ter feito uma faculdade e não teve oportunidade depositou esse sonho em mim.  E eu me sentia na obrigação com meu pai, com meus professores e com a sociedade de entrar numa faculdade, mas, eu não me decidia. Não me inscrevi para o vestibular. Mas, no final do ano, estava entre duas graduações: Licenciatura em Matemática ou Engenharia Química. Como não tinha emprego optei pela mais barata.

Aos 20 anos estava formada em Licenciatura em Matemática. Trabalhando em uma escola particular e feliz. Fui demitida um tempo depois e fui para uma realidade diferente. Dar aulas no Estado. Depois dessa experiência, minha vida mudou e o sonho de ser professora na escola perto de casa, local em que sempre estudei, se tornou pesadelo. Comecei a trabalhar numa escola técnica e estava frustrada. Até que meu namorado me disse: Por que não estuda informática? Eu pensei: Um novo desafio, uma chance de mudar de profissão. E topei. Fiz cursos e me aperfeiçoei e fui dar aulas de informática e minha vida mudou totalmente. Atualmente ainda sou professora e dou aulas de informática. Depois de um tempo decidi que faria uma nova graduação mesmo com toda a pressão de minhas ex-professoras sobre fazer um mestrado. Hoje, quase me formando na segunda graduação me pergunto: E agora?

Lembro-me do meu pai e penso: É assim que eu quero?

Faço parte de uma geração diferente e o convívio com os adolescentes me faz às vezes ser mais parecida com eles do que gostaria. Mas, com 26 anos a sociedade me pressiona novamente. E agora? Você vai parar?

Será que aos 26 anos eu preciso decidir o que quero pra minha vida toda?
Será que eu preciso fazer sempre a mesma coisa até o fim de minha vida??
Quando eu penso que aos 17 anos tive que fazer uma escolha, me abre um leque de pensamentos. Onde que um adolescente de 17 anos tem maturidade para esse tipo de escolha? E será que aos 27 ou 37 ou até 47 terá?

O problema é que estamos criando jovens frustrados que se veem na obrigação de decidir o seu futuro de uma hora pra outra. Jovens que, se passam dos 20 anos e não estão em uma faculdade, são julgados como incompetentes ou malandros. Por que sociedade? Por que eu não posso ter o tempo que preciso??

A pressão está criando uma nova modalidade de jovens, aqueles que passam pelos estágios de ansiedade, depressão, gastrite. E os seus novos companheiros são rivotril, fluoxetina e omeprazol.