sexta-feira, 17 de junho de 2016

A CALÇADA NÃO É CASA, NÃO É LAR, NÃO É NADA...


D’um lado da rua chamava atenção os dizeres enormes numa faixa colorida “promoção de gasolina”, noutro lado, alguém que aparentemente não poderia usar da promoção. Um jovem casal. Ela aparentava 14 anos ou menos. Ele, os primeiros fiapos de barba com muitas falhas e peito desnudo não deixava ter muito mais idade do que ela. Calça jeans, jogada para baixo da bunda com a cueca a mostra. Ela, uma calça tão colorida quando a placa do posto. A parte de traz da calça estava suja. Deveria teria sentado na calçada para amamentar seu filho. Um bebê. Parecia pesar mais do que a mãe e sua calça suja. O bebê estava num carrinho, muito sujo. Uma fralda que um dia fora branca, fazia o papel de cordão impedido o bebê de cair. Ele dormia. Sua cabeça ia para a frente, numa briga com o sono. Não conseguia equilibrar-se adequadamente no carrinho. Enquanto isso, seus pais discutiam por qualquer motivo. Entre uma discussão e outra eis que o bebê ameaçava ir ao chão vencido pelo sono. Ignorado. O jovem, entrega para a mocinha uma moeda toma uma pilha de papeis e entra entre os carros para distribuir. Num sobressalto o sinal volta a ficar verde, os carros vãos... e na calçada da esquina ficaram três crianças.