sexta-feira, 6 de maio de 2016

PARADOXO DE ZENÃO DA MÃO À BOCA

Do segundo capítulo do livro Filosofia de Botequim, de Matt Lawrence:


O interessante de seguir uma lista, ou montar uma coleção nem é o objeto em si, mas a luta para alcançar os objetivos e as histórias quem ficam para concretizar os objetivos. Uma vida sem objetivos é um espaço sem boas lembranças e sem histórias para ser contadas.

Não encontrei a cerveja indicada pelo capítulo. Ocupei-me em manter o estilo, uma Münchner Hell. Não quero falar da cerveja, mas da aventura que foi para encontrá-la. Estava no Angeloni em busca da Wehenstephaner e não a encontrei. Cheguei ao Angeloni depois de passar por vários mercados e estudar a possibilidade da compra via internet. Indignado pelo não-encontro, utilizei a internet mobile para pesquisar o rótulo e as alternativas ao tipo. Enquanto as pessoas com listas passavam num ritmo de mercado, estava eu defronte a estante das cervejas, com um dispositivo dialogando com o Google em busca da resolução de meus problemas de botequim. A tecnologia para o serviço do dia-a-dia, aquilo que Lévy, em Cibercultura (1999) aponta como grande contribuição da conexão perene. Conectados um mundo de informação se desvela ao deslizar dos dedos sob uma tábua de vidro.

Cerveja clara, pouca espuma, refrescante e de leve amargor.
Nota máxima.

Sobre o livro...

Observe que antes de chegar a seus lábios, o copo deve passar pela metade do caminho entre o ponto onde ele está pousado no balcão e sua boca. Mas, assim que ele chega à metade do caminho, existe mais um ponto na metade do caminho restante pelo qual ele deve passar. Você não poderá beber sua cerveja até que o copo passe por esse ponto também. E, uma vez que chegue a esse ponto, o copo deve passar por outro ponto médio entre esse ponto e seus lábios. E, chegando lá, precisará passar por outro ponto médio, e assim por diante. O problema, como você agora percebe, é que, para beber desse copo, você vai precisar passar por um número infinito de pontos médios (já que qualquer distância pode ser dividida pela metade). E, como é impossível passar por um número infinito de pontos numa quantidade finita de tempo, você nunca chegará a saborear essa cerveja! O filósofo grego Zenão de Eleia apresentou este paradoxo (às vezes chamado "paradoxo da bissecção") no século V a.C. Agora, sei no que você está pensando. Algo deve estar errado. Sabemos por experiência que o copo chega a seus lábios. Na verdade, espero que você já tenha provado que Zenão estava errado. (Provar o contrário é sempre muito bom, você não acha?) Mas Zenão não se abalaria ao saber que você está saboreando a sua cerveja. Ele achava que, uma vez que a razão nos mostra que o copo não pode chegar aos lábios num tempo finito (muito menos em alguns segundos), nossos sentidos devem estar nos iludindo. Num confronto entre a razão e os sentidos, ele acreditava que devemos escolher a razão. Conclusão de Zenão: o movimento é impossível! Ninguém jamais bebe coisa alguma!