domingo, 29 de maio de 2016

HAITIANOS NO ESTADO: UMA CONTRIBUIÇÃO


Quinta-feira, feriado, ouvi de amigos, o relato de um intelectual da região questionando a presença dos haitianos. Este questionava a contribuição de nossos irmãos, e para desqualifica-los justificava que as levas europeias e orientais do final do século XX contribuíram com o nosso desenvolvimento cultural, enquanto que este momento é apenas um momento de exploração. É muito triste encontrar este tipo de pessoa que se julga a partir de um olhar de superioridade cultural. Para rebater este tipo de argumento, transcrevo um fragmento do Expressão Universitária de Maio/2016*:

NÃO SOMOS VAZIOS
Não há dados oficiais quanto ao número de haitianos em Blumenau. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SEMUDES) trabalha com uma estimativa aproximada de 500 haitianos no município. Choute Vinsky, que participa junto com Paul do Movimento de Haitianos em Santa Catarina, diz ser agradecido às oportunidades que teve desde que chegou, podendo estudar e aprender o português em aulas que cursou em Blumenau. Diz também estar preocupado com atos de violência contra haitianos no País e defende que a integração cultural pode ser a saída para a quebra de preconceito e o melhor viver. Ele é responsável pelo time de futebol "Haiti Santa Catarina Futebol Clube". "Um dia queremos poder jogar no campeonato estadual", confessa, esperançoso, Choute. "Não chegamos aqui vazios. Não somos um povo vazio. Temos muita cultura para compartilhar", diz Paul. Ele explica que o movimento vem buscando dialogar com autoridades e governos para buscar garantias de acolhimento, vida digna e oportunidades para os haitianos que buscam o Brasil para viver. No dia 24 de maio do ano passado, foi realizada uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado para debater a questão dos imigrantes em Santa Catarina. Participaram haitianos e senegaleses que vivem aqui. Para Paul, umas das maiores conquistas da audiência foi o encaminhamento para a criação do Conselho Estadual de Apoio ao Imigrante. Em 6 de maio [foi] organizado um Fórum Estadual de haitianos, em Florianópolis. "Queremos ter um cadastro de todos os haitianos no Estado, saber como vivem, se estão recebendo com dignidade pelos trabalhos prestados, ajudá-los na busca de emprego e educação", diz Paul.

* Texto de Magali Moser e Marcela Cornelli. Na busca por viver melhor. Expressão Universitária, Maio de 2016, p. 10-11.