sábado, 21 de maio de 2016

CERVEJA PARA UM DEVANEIO

Se uma árvore cai na floresta e não há ninguém por perto, ainda assim ela produz som?
A provocação do terceiro capítulo da obra Filosofia de Botequim fecha muito bem a história de como cheguei a cerveja. Este capítulo traz uma questão do idealismo metafísico de Berkeley. Para o pensador britânico o existir deve ser percebido. Ao entrar no mercado, olhei para a prateleira de cervejas e encontrei o estilo de cerveja do capítulo, uma American Pale Ale, não sai de casa com o objetivo de encontrá-la, simplesmente aconteceu. Ao olhar por tantas garrafas e esta foi a primeira que vi. Ela, a Insana American Pale Ale não existia para mim até aquele momento. Olhei, e então, sua estada começou a fazer sentido. Embora minha sensação deu sentido a um rótulo, tantos outros ali ao lado foram ignorados. De acordo com a filosofia de Berkeley eles simplesmente não existem.

E de fato uma opinião estranhamente predominante entre os homens de que casas, montanhas, rios e, numa palavra, todos os objetos sensíveis têm uma existência natural ou real, independentemente de serem percebidos pela compreensão. [...] Pois o que são os previamente mencionados objetos senão coisas que percebemos com os sentidos? E o que percebemos além de nossas próprias ideias e sensações? E não é claramente incompatível que qualquer dessas coisas, ou qualquer combinação delas, deva existir despercebida? (BERKELEY, George, citado por LAWRENCE, Matt, Filosofia de Botequim. São Paulo: Alaúde Editorial, 2002: p. 30)