domingo, 6 de março de 2016

SPOTLIGHT: VERDADES REVELADAS

Aviso: esta postagem contém revelações sobre o enredo.

Outro dia ouvi uma crítica interessante ao conceito de verdade. Ao ler o primeiro capítulo de Mestres da verdade na Grécia Arcaica, de Marcel Detienne, há uma frase, logo na abertura do primeiro capítulo que chama atenção. “Numa sociedade científica, a ideia de Verdade imediatamente, implica as ideias de objetividade, comunicabilidade, unidade. Mas diria que a resposta não pode ser tão direta. Para Deleuze, verdade são ideias. Falo da verdade, porque hoje consegui assistir ao longa, vencedor do Oscar de melhor filme, Spotlight: verdades reveladas. A princípio o roteiro pode sugerir uma busca pela verdade, mas que verdade?

Com base em fatos reais, a história passa em Boston 2002, onde a equipe investigativa do Boston Globe busca denunciar os escândalos sexuais envolvendo padres da Arquidiocese de Boston. História simples, enredo enxuto, sem o mirabolismo de Hollywood, mas com uma linha sequencial lógica e com diálogos tensos. Discorda da comentarista de Oscar, Glória Pires, ao afirmar que o filme é fácil. Ele não é fácil. Há cenas que o subtexto fala mais que o diálogo principal. A leitura dos fatos também é exigente.

O filme explora muito bem as manobras de bastidores; as vítimas; os advogados corruptos e a difícil experiências dos jornalistas na construção da “verdade” pesquisada. Porém, falha ao explorar a posição da Igreja. Apenas explora a figura do arcebispo Law, mas pelo menos, ao final, poder-se-ia apontar os esforços para localizar e condenar tais criminosos. Entendo que o foto não é o produto da investigação, mas ela mesma, porém, ignorar os avanças é também descreditar o que tamanho trabalho consegui.