sábado, 12 de março de 2016

LAUDATO SI E A CATEQUESE




A escolha do tema da ECOLOGIA INTEGRAL para a reflexão com os pais de catequizandos se faz importante diante do tempo que estamos a viver. No ano passado, 2015, o lançamento da Encíclica Laudato Si (Louvado Seja) que trouxe como fruto as reflexões propostas pela CNBB através das Campanhas da Fraternidade, a atual e as próximas.

O interessante na leitura textual da Encíclica escrita pelo papa Francisco é a forma como ele traz para o debate inúmeras questões de apelo social, fugindo de uma polarização fechada em dois princípios, evidenciando o olhar ecológico a partir de uma perspectiva integral. A encíclica é uma carta destinada a todos os ser humanos do planeta [3]. Parte da ideia do planeta como 'casa comum'. Aqui é interessante pensar a etimologia da palavra casa, do grego oikós, que da mesma raiz provem as palavras ecologia e economia. Casa, não apenas como ambiente, mas como espaço a ser administrado, cuidado, zelado. Ir além do habitar, do estar, a casa como um espaço. Papa Francisco escreve para todos sobre o espaço que ocupamos. O cuidar da casa é uma urgência de nosso tempo [15] diante do comportamento autodestrutivo do homem [79] fruto de uma construção histórica alinhada ao sistema liberal.

A encíclica é apresentada em 246 parágrafos e utiliza o método VER-JULGAR-AGIR para apresentar o problema a partir da perspectiva que um bom cristão. Este, deve se inserir na realidade com o olhar de Deus, com o julgamento do Evangelho com uma ação concreta de transformação e inserção ativa. A partir da reflexão da encíclica a CNBB escolheu o tema da CF 2016 e da CF 2017, que refletirá a questão da ecologia integral, como uma necessidade de nosso tempo [2]. Esta reflexão parte da visualização de sete problemas graves,

 – A pobreza enquanto consequência da desigualdade social;
 – O descarte como fruto do cosumismo irracional;
 – A indiferença diante dos problemas sociais e econômicos;
 – O mascaramento dos problemas ao invés de soluções viáveis e humanit´rias;
 – Formas imediatistas de entender a economia e a atividade comercial produtiva;
 – O custo dos danos é maior que o benefício econômico;
 – Desmamento e extinção das espécies.

Os problemas acima foram divididos em seis capítulos. O primeiro capítulo apresenta o passo do VER onde são destacados o olhar para o planeta através da denúncia da mudança climática acelerada e as consequências ameças que o meio ambiente vem sofrendo e os pobres como primeiras vítimas da ação irresponsável do homem. Diante dos problemas, urge refletir a partir da luz do Evangelho.

O segundo capítulo inaugura o passo do JULGAR apontando nossa responsabilidade como criaturas de Deus dentro do espaço do nosso espaço. Criar é mais do gerar, cuidar é amar. A palavra cuidado em hebraico vai para além da ideia de zelo e perpassa o caminhar enquanto um projeto de amor para com o espaço, um Deus amoroso que cria um espaço, um gesto de amor que deixa como herança. Cuidar do planeta que tem início com o cuidado da minha casa, do meu espaço. O cuidado semelhante ao cuidado da criança diante de um brinquedo novo, que zela com amor incondicional. No terceiro capítulo Papa Francisco busca a raiz da crise ecológica apontando o paradigma da tecnocracia como um fator de risco. Não há uma condenação da tecnologia, mas o uso da irresponsável da tecnologia como problema. Quando o uso prevalece sobre as questões humanitárias, discursos do dinheiro como centralidade da vida traz consequências negativas para o ser humano. Existe uma linha tênue que separa o consumo desenfreado e o consumo por necessidade [109]. Conhecer esta linha é estar 'cuidador' da casa, é estar administrar o espaço.

Diante da denúncia emerge a necessidade de uma postura, a do AGIR. O primeiro passo é a transformação diante da atitude do descarte [139], e não é apenas um 'não jogar fora', mas um olhar de mudança de estilo de vida, de um olhar equilibrando visando, não o eu, mas o espaço de convivência de outrem. Com a mudança do micro para o macro, o olhar global que visa entender os limites e as ações da coletividade como combate ao lucro irracional que gera desigualdade [195] promovendo uma ação responsável de cuidado para o espaço comum. Um grito de superação do modismo.

Os números ao logo do texto referem-se aos parágrafos da Encíclica Laudato Si.
FRACISCO, Papa. Carta Encíclica Laudato Si do Papa Francisco sobre o cuidado da casa comum. Documento Pontifício n. 22. Brasília: Edições CNBB, 2015


Texto completo da Laudato Si