sexta-feira, 18 de março de 2016

AO CAPITALISMO FILHO DA PUTA: MINHA HOMENAGEM

Chego a sexta-feira, cansado, aliviado, feliz, porém indignado. Minha indignação nasce da hipocrisia. Todos nós falamos palavrões, e quem me conhece já ouviu a narrativa que faço defendendo de maneira insana que palavrões estimulam a liberação de endorfina. A indignação nasce da hipocrisia de criticar a possibilidade de Lula falar palavrões. É feio falar palavrão. Se você pensou isto, estou te achando um grande bundão. Todos nós, sem exceção, falamos em algum momento palavrões. Tenho ojeriza ao politicamente correto de fachada. Agora, se você tem a alma mais limpa que a Madre Teresa de Calcutá, retiro a acusação de bundão. Todas estas linhas são apenas para justificar o título da postagem.  

Ao longo da semana venho criticando sistematicamente o gado de manobra que repete argumentos da mídia sem a mínima capacidade de refletir para além do fato. Nas crítica chego a Deleuze e Guattari. Segundo eles, e forçando a interpretação, estes jogos e tramas são frutos (podres) do capitalismo. Há um sistema capitalista que agencia e torna tudo e todos engrenagens maquínicas. Todas as escolhas são produzidas a partir deste agenciamento para sustentar o sistema. Até nossos sonhos são produtos do sistema. Trabalhamos iguais a cavalos por conta do sistema, nos é retirada a capacidade de pensar porque existe uma produção em série no curso das coisas. Se adjetivei o capitalismo no título, é porque imagino sua concepção com uma vadia que trocava sexo por pão no interior de uma fábrica, sendo molestada impiedosamente por um empreender inescrupuloso com ejaculação precoce, em plena Revolução Industrial. Parido em panos sujos, em qualquer esquina escura de Londres, presenciou Jack, o estripador, comer a bunda sua mãe para na sequência enforca-la nas suas próprias tripas. Não vejo outra explicação para um sistema que afoga nossa liberdade, cerceia nossas ideias, formata nossos sonhos e reprime nossos desejos e elimina nosso tempo livre. Só pode ser um grande, grande mesmo, filho da puta.

Agenciado pela máquina usei o que ela me oferece para curtir a simplicidade da vida. Ao chegar em casa do trabalho, tomei minha bicicleta, pedalei para entre as montanhas para contemplar o pôr do sol.  O dinheiro que ganhei com meu trabalho capitalista,a permitiu-me comprar ingredientes para deliciar uma massa no jantar ao som de disco de MPB. A beleza das montanhas somada a um prato saboroso diante do som de uma música me fez perguntar: por que a simplicidade do deleite é algo raro nos dias de hoje?

Não é culpa de Lula e Dilma, muitos menos um presente de falso herói Moro, somos todos agenciados por um sistema filho da puta. Nos faz trabalhar demais e nos impede de pensar.

Ao capitalismo FDP, minha última homenagem: uma xícara de café!

DELEUZE, Gilles. GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia IV. São Paulo: Editora 34, 2000