terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

EM NOME DA ROSA: CRÍTICA AO FILME



AVISO: esta postagem contém revelações sobre o enredo.

Domingo, em homenagem a Umberto Eco, revi o longa The name of the rose. O rever de um filme ou o reler de um livro traz ao acompanhante a observação de detalhes diferentes e a cada releitura, pois ela sempre é feita com outros olhos. A história escrita por Eco, está ambientada em 1327 durante uma conferência papal com franciscanos em um mosteiro beneditino onde aconteceram alguns crimes. Com um poder de dedução e observação apurado, o franciscano Guilherme de Báskerville propõe-se a investigar e então a história do filme se desenrola.

A história é brilhante e traz uma reflexão interessante mostrando a dicotomia entre racionalidade e religiosidade, própria do século XVI. Enquanto os monges menos intelectualizados focavam explicações sobrenaturais, Guilherme olhava para as evidências. Em diversos momentos ele foi acusado de vaidade por preferir a lógica racional as verdades ingênuas da fé vulgar. Ao mesmo há uma crítica forte a igreja sem apelar pelo sensacionalismo. A crítica tecida por Eco o faz partindo de um contexto histórico evidenciando os diversos elementos de época sem tecer uma crítica com o olhar do século XXI. O que ele mostra é uma igreja católica separada entre, os doutores da fé, os estudiosos, o baixo clero e os pobres. Não dá para falar a “Igreja Medieval” como se fosse coisa única.

É preciso olhar para a história com criticidade, sem jamais perder de vista o contexto que os elementos foram construídos. Este aspecto está o brilhantismo de Umberto Eco. Porém, o filme conclui sem sabermos o nome da rosa, apenas visualizamos seu perfume, sem sempre agradável, e muitos espinhos. Não havia como ser diferente o final.