quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

USAR O CELULAR NA SALA AULA?

Imagem: Globo.com

Pensar educação no Século XXI é pensar também o uso de tecnologias digitais. Neste breve ensaio quero prensá-los a partir da leitura de Pierre Lévy (1956, pensador da cultura virtual contemporânea e professor-pesquisador do Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris-VIII, @plevy). Parto do pressuposto que a tecnologia na sala de aula não pode ser pensada apenas como algo instrumental. Falar em tecnologia na sala de aula é pensar um conjunto de situações produzidas a partir de determinadas condições. O quadro abaixo, chama atenção para o momento que estamos a viver. Nossos corpos estão produzidos, a partir da metade do século XX quando está em evidência o paradigma informático-midiático.

A inserção de tecnologias na sala de aula não é um problema instrumental, mas é epistemológico. Compartilhamos hoje espaços de digitalização, por exemplo, o dinheiro, o cinema, a radiotelevisão, as músicas e as telecomunicações se relacionam conosco de maneira muito diferente da primeira metade do século passado. Hoje, todos os processos citados já passaram pelo processo de digitalização e são experimentados de um jeito que só faz sentido em nosso tempo. A mesma transformação acontece nas mais diferentes categorias profissionais.

As transformações influenciam diretamente nos processos de ensinar e aprender. Lecionar hoje também é diferente. A dinâmica cronológica também é diferente.  Vivemos num tempo onde as construções não são mais exclusivamente lineares, elas acontecem de maneiras diversas. Esta leitura é interessante porque através dela será possível perceber a relação do tempo com a prática do ensinar e aprender. A oralidade e a escrita não são mais canais exclusivos, é preciso perceber os outros tipos de construções que se estão presentes. Esta percepção poderá instrumentalizar o educador, para então, descobrir quais tecnologias digitais são adequadas para a vivencia da sala de aula.


Pierre Lévy nos convida a pensar que estamos vivendo na civilização da virtualidade. Na civilização da escrita, o texto, o livro e a teoria permaneciam no horizonte do conhecimento, como polos de identificação. Hoje está mais difícil para um indivíduo cogitar sua identificação, mesmo que parcial, com uma teoria. As explicações sistemáticas e os textos clássicos parece-nos hoje excessivamente fixos dentro de uma ecologia cognitiva na qual o conhecimento se encontra em metamorfose permanente. Então, como conduzir o ensinar e o aprender na sociedade informática-midiática?