quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

ORIENTAÇÕES PARA CELEBRAR A MISERICÓRDIA NA QUARESMA

FONTE: Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização. Celebrar a misericórdia: subsídio litúrgico. São Paulo: Paulus; Paulinas, 2015.

A Quaresma é o tempo privilegiado no qual a Igreja é chamada a mostrar de forma mais evidente o rosto misericordioso do Pai, especialmente por ocasião das liturgias penitenciais e da celebração do março, sexta-feira, e 5, sábado, estende-se a todas as comunidades a iniciativa «24 horas para o Senhor», especialmente nas paróquias, nos santuários e nas igrejas mais centrais e frequentadas pela comunidade cristã; tal momento será celebrado na Basílica de São Pedro em 4 de março, sexta-feira, com uma liturgia penitencial.

No entanto, podem existir outros momentos a privilegiar neste tempo, como a celebração da Liturgia da Palavra. A esse respeito, o Santo Padre recomenda que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus. Quantas páginas da Sagrada Escritura se podem meditar, nas semanas da Quaresma, para redescobrir o rosto misericordioso do Pai!» (Misericordiae Vultus, n. 17).

O ciclo das leituras das Missas da Quaresma, além disso, foi redigido com base em princípios particulares, que têm presentes as características próprias deste tempo, ou seja, a sua índole batismal e penitencial.

O Ano Santo da Misericórdia coincide plenamente o caminho quaresmal proposto pelo lecionário do ano C, que aborda o tema da penitência. Neste ano seremos chamados a fazer um caminho de conversão que nos conduza à Páscoa, acontecimento supremo da reconciliação com o Pai. Especialmente através da homilia, mas também no cuidado particular das admonições e da oração dos fiéis, os pastores, juntamente com os colaboradores, ajudarão a assembleia celebrante a entrar no mistério da misericórdia do Pai, celebrada eminentemente no sacrifício do seu Filho. Para tal, será útil também o Diretório homilético recentemente publicado pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Em especial, com a narração das tentações de Jesus no deserto (cf. Lucas 4,1-13), no I Domingo, o Povo de Deus será chamado a viver a Quaresma como caminho de «conversão eclesial, da escuta da Palavra, da oração e do jejum».

No II Domingo, a narração da transfiguração (cf. Lucas 9,28-36) convida os cristãos a fortalecerem a fé no mistério da morte e ressurreição de Cristo, para aderirem com plena fidelidade à Aliança, à vontade de Deus, e a serem verdadeiros discípulos de Cristo.

Através da parábola da figueira estéril (cf. Lucas 13,1-9), no III Domingo, cada fiel será despertado para superar a dureza da mente e do coração, para que, acolhendo a Palavra de Deus e deixando espaço ao Espírito, seja capaz de dar frutos de verdadeira e contínua conversão.

A parábola do Pai misericordioso, do IV Domingo (cf. Lucas 15,1-3.11-32), constituí o cume deste caminho quaresmal no Ano Jubilar: reconhecer Deus como Pai bondoso e grande no perdão, que acolhe no abraço do seu amor todos os filhos que para Ele voltam com ânimo arrependido, para os cobrir com as vestes da salvação, fazê-los participantes da alegria do banquete pascal e restituí-los à dignidade real de filhos de Deus.

O excerto evangélico da adúltera perdoada, no V Domingo da Quaresma (cf. João 8,1-11), chama cada um dos batizados a abrir-se ao perdão incondicional de Deus, que, em Cristo, renova todas as coisas.
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No Ano Santo da Misericórdia, assume grande relevo o sacramento da Reconciliação. «Este é o tempo de se deixar tocar o coração. Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa. Deus não cansa de estender a mão. Está sempre disposto a ouvir» (Misericordiae Vultus, n. 19). A Eucaristia e o sacramento da Reconciliação são dois sacramentos em estreita relação entre si. «Se a Eucaristia torna presente o sacrifício redentor da Cruz, perpetuando-o sacramentalmente, isso significa que deriva dela uma contínua exigência de conversão, de resposta pessoal à exortação que São Paulo dirigia aos cristãos de Corínto: «Em nome de Cristo, pedimos, reconciliem-se com Deus» (II Cor 5,20).