terça-feira, 5 de janeiro de 2016

CRÍTICA AOS TELEJORNAIS POLICIAIS COMO O BRASIL URGENTE

Estava com a televisão ligada no trash-news Brasil Urgente enquanto preparava o jantar. Naquele momento ouvia sobre o duplo-crime bárbaro que aconteceu no mesmo ponto em Praia Grande, litoral paulista, durante as festas de final de ano. Emocionei-me ao saber que o pai de um dos menores envolvidos com o crime fez a denúncia. Tentei colocar-me no lugar daquele pai e todo o drama familiar envolvido, como pensei também nas pessoas vitimadas. Uma situação desta é demasiada triste e revela inúmeras questões sociais, dignas de reflexão e debate ao invés de uma construção retórica torpe, como aquela que o apresentador do Brasil Urgente, Joel Datena, conhecido “filho do Datena”, o fez na edição de 04 de janeiro.

O apresentador, no auge de sua arrogância ou ignorância, questionava a presença dos defensores dos Direitos Humanos (DH). E seus questionamentos, desprovidos de fundamento, passava pelas manchetes questionando a presença dos “DH” apenas no lado do bandido, e solicitando ela também junto as vítimas. Um discurso enfurecido e pervertido. Seguia ele, em seu discurso, de uma forma como se os DH fosse responsabilizado pela ausência de um Estado que não exerce o domínio sobre a violência, e também responsabilizado por uma justiça lerda. Este senhor, usou do discurso falso para encontrar culpados, a quem interessa a defesa dos humanos? É interessante pensar, como citei em outros posts a ficção V de Vingança, de Allan Moore, que é ótima para pensar a realidade. É criado um inimigo, aqui a impunidade, se passa a imagem de ausência, caos e descontrole, aqui a violência, para na sequência apresentar, ou melhor, vender uma vacina. Agora, me questiono, qual será a vacina, que um discurso ignorante, elitista de extra direita quer vender? 

Este apresentador deveria, antes de inflamar-se, largar as sombras da ignorância e ler a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e saber que, aqueles que defendem os DH, não defendem bandidos, nem são a favor da violência, mas defendem o ser humano, independente do grau de sua idiotia. Pois, alguns artigos dizem assim:

(1) Todos os ser humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
Sim, todos os seres humanos. A questão dos DH é garantir condições de dignidade e de direitos. A quem foi usurpado os direitos é objeto de defesa dos DH. A questão está na condição que se encontra e não da defesa de uma condição de ato.

(3) Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e a à segurança social.
Claro que aos assassinados covardemente foi-lhes retirado o direito à vida; cabe aos que fizeram, julgamento, condenação e pena. Agora, o fato do sistema não funcionar, não cabe um discurso de ódio aos DH. Caberia e muito bem, uma luta pelo funcionamento do sistema. Posso até ser utópico, mas este discurso é melhor que um de ataque a quem presa pela vida, liberdade e segurança social. Quero ainda ver um canal de massa fazer isto.

(19) Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e de expressão.
Direito que foi silenciado pela DITADURA MILITAR (e pensar que há mau-caráter que a defenda). E graças a este direito há pessoas como sujeitinho supracitado, que esbraveja no alto de sua ignorância com o direito que lhe garante a possibilidade de esbravejar tamanha barbárie.