sábado, 26 de dezembro de 2015

A IGNORÂNCIA DIANTE DA IDEIA DE DEUS

“Criamos Deus a nossa imagem e semelhança” (FEURBACH).

Nas aulas de Filosofia da Religião, busco, sempre que possível, o texto do pensador alemão (?) que há a citação a cima. O faço com intenção de provocar os acadêmicos acerca dos moldes que colocamos na religião e como desenhamos a figura de Deus.

Neste Natal, em contato com algumas pessoas que se dizem religiosas e esta frase me fez pensar muito. O que encontrei nessas pessoas foi uma forma mesquinha de encontro com o espiritual. Dou a forma para Deus de acordo com minhas frustrações e a mesma estendo para a institucionalização da religião. Como se ela fosse a motivação última para tudo, e quando as ambições não são respondidas não há autorreflexão, mas então, a busca por culpados. Como se a vida estivesse resumida apenas a uma lógica binária de erros e acertos, ou tudo estivesse numa briga espiritual entre deuses e demônios.

Há momentos que a ideia do morte de Deus em Nietzsche faz algum sentido na distorção. Cria-se a ideia de um Deus para atender as necessidades, as incapacidades e a falta de explicação para os mistérios da vida. Como se tudo fosse uma prateleira de supermercado, pego da ideia de Deus conforme a minha necessidade e as outras coisas, bem elas não tem importância.

E aqui é que mora o grande mal, o da indiferença.

Mas será que esta limitação dá conta de tudo?