domingo, 22 de novembro de 2015

MEMÓRIAS DE UM RADINHO A PILHA

Sempre fui apaixonado por futebol. lembro-me de acompanhar jogos ainda com oito anos pela extinta TV Manchete. Mas aqui em casa, sempre tivemos dificuldades com sinal de televisão, quando tínhamos sinal de televisão, era canal único. Parabólica e TV por assinatura não eram possíveis na minha infância, vieram só mais tarde. Para acompanhar ao futebol recorria ao radinho de pilha de meu pai. Era um motorádio com quatro pilhas médias. Ouvi muitos jogos, anotava os resultados em um caderno pequeno. Mantive até aos doze anos um grande acervo de dados de jogos, anotações e breves comentários. Confesso que bloggar sobre futebol é um retomar a infância. Trazer a memória um tempo onde a informação via radinho a pilha era o que mais importava. Tentava, imaginar as jogadas narradas, vibrava com o grito de gol, trazia das palavras a emoção da vitória e a síntese da informação. Nas manhãs, bem cedido ouvia cedo o placar das rodadas. No ônibus escolar, sentava-me ao lado de amigos e íamos viagem a fora discutindo futebol, fazendo escalações, discutindo a seleção ideal. Era um mundo da simplicidade do radinho a pilha que trazia a emoção. Era grande a gozação de torcer por um time que nunca havia levantado uma taça nacional. Hoje, são tempos de seis Brasileirões e três Copas do Brasil. Aliás, um brasileirão para cada gol de hoje.

Falo tudo isso porque hoje não pude acompanhar a aconxapante goleada corintiana. Estava numa roda de estudos, porém, o tablet começou a vibrar sem parar. Estava ligado ao aplicativo OneFootball. A cada gol, uma mensagem descritiva recebia. Pude na tranquilidade do trabalho estar atento as tarefas bem como alegrar-me com o resultado. E foi inevitável não lembrar das tardes com um rádio a pilha, a imaginação, o desenho mental. São tempos de outras tecnologias, mas são tempos de continuar ligado, o aplicativo trazia números, dados, posicionamentos, um caminhão de informações. Consigo ainda maravilhar-me com estas mudanças, mas mesmo com muitas mudanças, nossa essência sempre é a mesma.

Talvez você leitor não veja sentido neste texto. Ele é desconexo e solto, mas motivou-me a doce lembrança de uma infância pobre e privada onde poucos recursos era tudo o que se podia ter. Mas isto tudo não impediu de sonhar. Quem não sonha, não vive.