sábado, 14 de novembro de 2015

COMENTÁRIO DA TERCEIRA RODADA DAS ELIMINÁTÓRIAS

Por que Equador é líder?


Será que viveremos para ver uma copa sem Brasil e Argentina? O jogo pífio da terceira rodada nos mostra que tal possibilidade existe e está muito próxima.  Ambas seleções mostram uma dependência do craque e faltam alternativas táticas. Caso o futebol continue e a classificação seja possível, na copa da Rússia-18 não podemos esperar mais nada de Brasil e Argentina senão um cumprir tabela, algo muito próximo do que a Inglaterra vem sistematicamente apresentando. Se aquilo que acontece nas categorias de base é um espelho para os profissionais, logo veremos o declínio das duas potências do continente. E isso tudo passa primeiro, pela gestão das confederações, e na sequência pela escolha dos técnicos.

O Brasil escolheu um técnico sem vivência de futebol. Seu primeiro trabalho foi na própria seleção. Entre passagens houve alguns meses de Internacional de Porto Alegre. Dunga não é um estudioso da bola, não foi à Europa estagiar com os melhores e nunca o vi, em coletiva alguma, dissertar sobre esquemas de jogo. Discursos ufanistas de amor à camisa não fazem sentido em épocas de profissionalismo. Noutro lado, os argentinos, optaram por um técnico que reúne características de bola bem melhor, mas vem de uma passagem insignificante frente ao Barcelona. O que Tata Martino fez no time Catalão não pode ser usado como trampolim para uma promoção ao selecionado argentino. O que vemos, em ambos lados, é uma inaptidão para lidar com o momento do futebol.

Os campeões e líderes sempre nos ensinam valiosas lições. A seleção do Equador escolheu um treineiro a partir da vivência de clube do próprio país, boliviano Gustavo Quintero. A regra que vale muito bem para eles poderia se aplicar por aqui. Conhecer o locus dos jogadores é fundamental para o sucesso. Por isso defendo a tese que o treinador da seleção brasileira devesse ser um europeu. Esta é a lição, o padrão de jogo a partir do que os jogadores já estão inseridos. A partir desta mesma lógica, com Dunga, Neymar não jogará nem perto do que ele faz no Barcelona. Aqui ele joga centralizado com um meio campo nada criativo, que deve destruir ao invés de construir jogadas. O exemplo do posicionamento de Neymar nos mostra que Dunga é incapacitado para exercer aquilo que faz, e que o conhecimento do locus que a confederação do Equador apresentou é o melhor caminho para a construção da vaga para Rússia-18.

Temo que o Brasil ficará pelo caminho.