quarta-feira, 18 de novembro de 2015

18 DE NOVEMBRO: DIA MUNDIAL DO FILOSOFIA

Hoje é o dia mundial da filosofia. Pelo menos assim estava estampado numa leitura que por devaneio pude fazer. Não consegui verificar a veracidade da informação, mas pouco importa-me se é ou não é. Resolvi lembrar dela e fazer dela uma comemoração, inda que solitária e partilhada por aqui. Em dias turvos opto pela memória de V for vendetta.

As conversas do dia a dia, por vezes, acabam vulgarizando a filosofia. Qualquer pensamento é chamado ironicamente de filosofia. Não quero aqui institucionalizar o lugar da filosofia, mas chamar atenção que os achismos diários e quaisquer masturbações mentais não podem ser consideradas na mesma altura dos argumentos filosóficos. A pensadora brasileira Marilena Chauí (2002)* afirma que a filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos. Apenas nesta frase já temos elementos suficientes para não aceitar Valeska Popuzuda no quadro dos "pensadores". Chauí ainda segue apontando que a filosofia opera com conceitos lógicos e racionalmente fundamentados para atravessar as opiniões formuladas pelo senso comum. O conhecimento filosófico é uma operação intelectual que não se satisfaz com respostas imediatas apontadas apenas nas relações de causa e efeito ou em meras dualidades. Filosofia é um conhecimento mais amplo que nos permite olhar as frivolidades e refletir o que existem possibilidades além daquelas que são ou estão dadas.

No dia mundial da filosofia não dá para aceitar o crime ambiental de Mariana (MG), o genocídio no Oriento Médio a barbárie francesa como acaso dual de duas forças apenas.

Para celebrar o dia mundial da filosofia troquei a capa de meu Facebook por uma imagem do personagem "V" de V de Vingança. A escolha é feita num momento paradoxal onde a máscara de Guy Fawkes, que por ora é usada por aqueles que não tem coragem de mostrar o rosto frente as reivindicações, é resultado de uma escolha motivada pelo heroísmo onde a reflexão dos HQ que vão além do racional imprimindo no corpo características única. Vivemos num tempo onde o maior dos erros continua a ser cometido. Os franceses e alemães estão mostrando: a renúncia da liberdade em nome da segurança. O problema está no fato que a renúncia da própria liberdade confere a alguém é uma carga de poder excessiva para decidir invadir, julgar e matar sem a necessidade de provas e leis. O corpo padece e adoece junto com uma sociedade que teme a reação do terrorismo e assiste no noticiário noturno uma caçada de pessoas que sempre terminam com a morte. Alguns podem até justificar a morte para não morrer, mas isto é apenas uma julgado dual e esfacelado em si mesmo como se a guerra fosse uma forma para erguer uma grande nação. Um estado se faz com liberdades civis e não com falsa segurança, aliás, segurança que não consegue eliminar bombas e ao mesmo tempo usa da guerra para auto justificar a própria fraqueza.

Lembrem, lembrem do cinco de novembro, que traição, que artimanha. Por isso, não há por que esquecer uma traição tamanha**.

*CHAUÍ, Marilena. Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2002.
** MOORE, Alan. LLOYO, David. V de Vingança. Barueri: Panini Books, 2012.