domingo, 21 de junho de 2015

QUAL O LÍMITE DA CIÊNCIA? CRÍTICA A SÉRIE ASCENSION

Aviso: esta postagem contém revelações sobre o enredo.

Sempre, ao falar de Filosofia da Ciência, faço este questionamento com os escolares. É preciso limitar as pesquisas científicas, ou em vista de um bem maior qualquer possibilidade é válida? Trago este questionamento ao blog hoje por conta da minissérie Ascencion, que fora transmitida pelo canal SyFy ao longo da semana. A primeira rodada de transmissão aconteceu em dezembro de 2014.

Como publiquei no final de maio (clique aqui para recuperar a coluna), a série conta a história que em 1963, 350 homens, mulheres e crianças embarcam na nave espacial autossustentável USS Ascension para uma longa viagem ao espaço profundo como parte de um grande experimento para colonizar o mundo. Quase cinquenta anos depois, à medida que se aproximam do ponto de não retorno, o misterioso assassinato de uma jovem leva a população da nave a questionar as razões pelas quais eles deixaram o planeta.

Porém, logo descobre-se que a viagem na verdade é uma grande farsa. Os viajantes na verdade nunca saíram da Terra. Então, além da trama do misterioso assassinato existe uma discussão sobre o “experimento” sociológico, genético, psicológico ou tal. Uma menção clara ao Grande Irmão de Orwell. Ao mesmo tempo ainda é possível perceber como a nave se autorregula e discutir políticas organizacionais e divisão de casta, como extrato de promoção ou condenação. E claro, a grande discussão, qual o limite da ciência. É lícito por pessoas num experimento contra o conhecimento das mesmas e observá-las em busca de algum resultado? A ideia de USS Ascension lembra-me muito os navios negreiros e os campos de concentração: a humidade já é experiente em fazer tais experimentos. É evidente mas não questionável na série os lugares que negros e pobres ocupavam num espaço secundários e os homossexuais apareceram alheios a história, apenas numa tentativa de acertar um erro não mencionado. Outro devaneio que ocorreu-me ao acompanha-la é a inexistência do fenômeno religioso institucionalizado. Mesmo assim, buscaram marcar o tempo com celebrações e cultos rituais e após cada qual sempre o comentário positivo a introdução dele nos meios sociais.