sexta-feira, 12 de junho de 2015

NAMOROS EM ÉPOCAS DE CONEXÃO

Conecto, logo existo.

Hoje cedo ouvi um pouco da Rádio CBN e chamou-me atenção a reflexão acerca do dia dos namorados e o tempo de perene conexões. A reflexão que lá ouvi me motivou para pensar que estamos num momento que a demonstração de carinho virtualizou-se. Não quero desprezar o encontro vivencial, mas estamos num tempo que o namoro está também numa tábua de vidro. Ao invés do bilhetinho, um sms; das cartas, um whats; uma figurinha “fofinha” ou algo do gênero substitui uma flor. Mas o que tudo isso representa? Com certeza não representa a queda do romantismo, mas o reconhecimento das distâncias e a ocupação doutros espaços.

Se em épocas passadas o telefone poderia ser desligado, nos dias de hoje não mais pode. Estamos sempre on-line, não desligamos nunca e nunca nos afastamos. Os casais de namorados podem celebrar o estar conectados sempre, a perenidade no ambiente. As conexões podem ser olhadas como um degrau na história da comunicação, um degrau que separa um momento de conexão entre as partes, por nodos permanentes. Nodos que permitem conviver o tempo inteiro a independer dos espaços que estão. O namoro está locado no celular, ele não está acontecendo lá só, porque tudo está acontecendo lá. O presencial está vinculado ao virtual. Os nodos do virtual se fazem com os nodos do presencial onde um está com outro. E para lá estão os namorados que hoje podem celebrar com uma simples mensagem virtual ou algo mais...