quinta-feira, 25 de junho de 2015

ENTRE O CÉU E A TERRA HÁ MAIS COISAS QUE BOM E RUIM


Hoje conversei com duas pessoas sobre um mesmo tema. Conversas completamente diferentes em contextos separados. Mas estávamos unidos por mesmo ponto e sobre isto que quero divagar. Somos guiados por uma lógica dual, diria, uma maldita lógica dual que afirma que as coisas podem ser ou não podem, mas não podem ser assim, assim. Isto é muito perigoso. Rotulamos pessoas como bom ou má, por exemplo. Como se tal classificação desse conta de dizer algo de alguém. E ainda, há momentos que acreditamos que toda nossa essência pode ser bom ou má. Isto limita demais o que de fato se é, como se houvesse mesmo. Junto ainda vem o “certo” e o “errado” nas decisões. O que vem são decisões e consequências. “Mas se eu tivesse...” mas, se, são condicionais de uma ação que jamais aconteceu. Não há como saber de fato, então, foi e ponto. Foi, bom ou mal, não importa, foi e importa o que virá. Nós operamos por uma lógica dual que estratificou até a alma torno-a arborescente, porém vivemos na multiplicidade, como diria Deleuze, “o bom e o mau são somente o produto de uma seleção ativa e temporária a ser recomeçada”. Não sou bom, nem ruim, não estou certo, nem errado, apenas sou e estou, como diriam as linhas do poeta Pedro Bial:

Quando cai a noite é bom tomar um banho e sob o chuveiro: é bom sentir saudade. Ruim é não ter saudade, e como é bom sair sem direção pelas ruas da cidade, pensando no que você fez da sua vida e no que a vida fez em você. Bom é sonhar, realizar não é tão bom, mas ruim mesmo é não realizar.

O fim de um grande amor é muito, muito ruim, um grande amor não tem fim! Bom é amar, ruim é amar... Bom é encarar a vida com fantasia. Quando um poeta desaparece é bom colocar chapéu de Bogar que tudo pode solucionar... Ruim é encontrar o precipício, morrer não deve ser tão ruim assim... E pode ser bom falar sobre bom e ruim, e pode ser pior assim assim ... bom!