quinta-feira, 14 de maio de 2015

O FUTEBOL DA MORTE: COPA DE 2022 E UM CENÁRIO DE ESCRAVOS


Fonte: Zenit.org, Roma, 17 de abril de 2015

Uma tragédia esquecida e uma catástrofe silenciosa: sob o sol do Catar, 1.200 pessoas já morreram na construção de estádios para o Mundial de Futebol de 2022. A denúncia dos sindicatos internacionais e italianos, transmitida pela Rádio Vaticano, destaca as condições de escravidão em que os imigrantes trabalham no país árabe. A fim de despertar a atenção para este drama, os sindicatos escreveram uma carta ao governo italiano e aos dirigentes internacionais do futebol.

A principal acusação dos sindicatos é contra o sistema "kafala", uma relação de trabalho a que empresários do Catar submetem trabalhadores indianos e nepaleses: os empregados não podem deixar a empresa sem o consentimento do empregador, não têm visto para sair do país e não existe acordo claro sobre as condições de trabalho, as horas e os salários. O sindicado denuncia que, no país, mais de um milhão de trabalhadores são obrigados a trabalhar 16 horas por dia, com 50 graus centígrados à sombra. "Mais da metade das mortes se devem a ataques cardíacos causados pelas condições ambientais e de trabalho. Se nada for feito, as 2.022 mortes de hoje passarão para 4.000. Um rio de sangue inocente que pode transformar a festa do esporte numa tragédia".

O governo do Catar sempre rejeitou as acusações e os dados sobre as mortes, mas, nos últimos dois anos, foram registrados nas embaixadas da Índia, do Nepal e de Bangladesh 900 casos, metade dos quais classificados como “imprevistos de natureza desconhecida” ou “parada cardíaca”. As federações sindicais mundiais da construção suspeitam que os dados escondam mortes por trabalho exaustivo. 

REFLEXÃO:

Não é a toa as críticas à FIFA. Escolher África do Sul; Brasil; Rússia e Qatar não é uma escolha à toa. Lembro de Jorge Kajuru, nas vésperas da Copa-14 afirmando que a FIFA é manchada por sangue. Ele tem razão e muita. Se na África do Sul foram apontadas 2; no Brasil o número multiplicou-se por 4, chegando a 8 mortes, 3 delas na Arena Corínthians. Dados do portal G1.globo. Um dos maiores espetáculos da terra é banhado de vermelho e diante dele nada se faz. Se no primeiro caso a entidade mantenedora se ocupasse em ir além das estripulias que está acostumada e investigasse, uma Copa séria não seria levada ao Qatar. E a todos os argumentos soma-se aquele de maior repúdio: o desrespeito ao humano.