quarta-feira, 6 de maio de 2015

FUTEBOL ESTAMPA DESIGUALDADE SOCIAL

Ao iniciar minha trajetória como professor, trabalhei em várias escolas da Rede Pública como professor temporário. Numa delas havia um diretor, filósofo, que travávamos longos diálogos. Ele usava alguns bordões, um deles: “o futebol tem a maior desigualdade do Brasil”. Ele tinha razão. Agora que acabaram os estaduais – que pouco valem – é possível olhar para alguns aspectos para além das quatro linhas. Estes dias vi três exemplos, no Bom Dia Brasil, falando de jogadores que recebem um salário mínimo como forma de pagamento. A reportagem trouxe três exemplos de jogadores que precisam uma jornada dupla para dar conta do orçamento. Segundo dados de associação de jogadores do Brasil, apenas 2% recebem mais de 20 salários mínimos e 85% recebem menos de três. Um ótimo exemplo que o futebol representa uma das maiores desigualdades sociais. Poderá haver espetáculo nas quatro linhas enquanto que fora for um caos?

Não basta bater no peito e defender os estaduais. A defesa deste tipo de competição, ultrapassada, incha um calendário sem sentido e não promove a grande maioria de empregados por meses. É preciso pensar um calendário e uma estrutura que possibilidade times pequenos ter calendário anual e uma gestão que possam manter as contas em dia e proporcionar um profissionalismo de verdade e não apenas pela metade, como vemos hoje. A realidade de rios de dinheiro é mínima e astros são pouquíssimos. A realidade do futebol é uma realidade de desigualdades.