sexta-feira, 24 de abril de 2015

O QUINTO PODER: WIKILEAKS E RECORTES

Atenção: esta postagem contém revelações sobre o enredo.

Há tempos que desejava ver o filme “O quinto poder”. Não consegui vê-lo no cinema, mas o fiz tempos mais tarde via televisão. Ele é um dos filmes que conta a história da criação do WikiLeaks e as ações do criador Julian Assange. É um filme com um recorte, como todos são. O recorte é feito a partir dos relatos de Daniel Domschei-Berg, que rompeu com Assange por não concordar com algumas atitudes do “criador”. O filme conta alguns dos vazamentos realizados pelo WikiLeaks, como por exemplo, o problema de um banco suíço, o crescimento, atendado sofrido por colaboradores no Quênia e chega até a parceria com o The Guardian para vazar informações militares e diplomáticas dos Estados Unidos. O filme não foi um sucesso de bilheteria no cinema. O nome central da trama, reclamara publicamente a respeito das gravações e do recorte executado. Existem outros textos e vídeos sobre o tema. Um deles tem recortes com base das informações dos jornalistas do The Guardian tem uma linha editorial diferente desta. Recortes são sempre recortes.

O filme nos ajuda a pensar o papel da informação. Até que ponto é informação, quando transforma-se em notícia e mais, é preciso um limite pra publicação? Como podemos classificar o WikiLeaks? Existe abuso? Ou estão no direito pleno de tornar pública informações? Em contrapartida, quais as tendências que sustentam as linhas editoriais mais famosas que temos acesso? Vou tangenciar estas questões e relatar o que pensei acerca do Brasil durante o filme. Afirmar que não existe tendências, é no mínimo ingenuidade. A grande mídia do Brasil está nas mãos de um punhado de gente, de poucos grupos que controlam verdadeiros impérios. Estes grupos possuem o poder de realizar recortes nas notícias, assim como fora realizada no filme que retrata Assange. E nós vamos repetindo discursos que vemos e ouvimos e nem dos demos conta como tais discursos foram recortados e moldados, basta ver como alguns veículos falam do governo e da generalização porca que fazem da política, são recortes, porém, o grande povo é incapaz de perceber tais recortes e tomam como “verdade” dogmática.

Alguns números para pensar, pois pelo visto, americanos querem limites, mas ficam dentro de um recorte muito limitado. São eles os mesmos que foram primeiros a defender a liberdade de expressão. Mesmo após os vazamentos de informações em 2010 a respeito da Guerra no Afeganistão, uma votação há época, segundo o Le Monde Diplomatique, contabilizou que 68% de americanos consideravam o Wikileaks uma ameaça ao interesse público, e 59% queriam que Assange fosse preso. E agora José?