quarta-feira, 25 de março de 2015

O DIA QUE O FUTEBOL TROCOU A MORTE PELA VIDA

Hoje não vou comentar nenhum jogo, mas contar uma história. Neste dia todos os jogos de futebol deveriam parar um minuto de silêncio em homenagem às vítimas e agregar outros três em homenagem a própria vida. A vida renova-se em cada minuto. E a nós viventes, cabe o respeito a todas as vítimas. Falo do acidente área acontecido na França.

O mundo ainda está chocado e hoje ao folhear o jornal deparo-me com uma história de arrepiar. Uma que não há critério racional que dê conta de fazer entender o motivo. Um clube da terceira divisão da Suécia desistiu de tomar o fatídico vôo 4U9525, por questões de trânsito atrasaram-se. Fico boquiaberto ao saber que um incidente traz contornos emocionantes. A delegação estava na Catalunha para cumprir uma agenda de amistosos e voaria para Alemanha para fazer conexão à Suécia. Mas iria num voo e contingencialmente trocou. Trocou a morte pela vida. Mas quem saberia de tal? Não temos nenhum controle sobre a vida/morte.

Segundo a imprensa catalã: “íamos pegar aquele avião. Podemos dizer que tivemos sorte, muita sorte. Havia quatro voos simultâneos para o norte e nós tínhamos jogadores em três desses, mas não no que caiu”.

O Dallkurd FF é um daqueles times de história apaixonante, ora pela trajetória, ora pela política. A equipe está na terceira divisão da Suécia. A estreia da equipe será no próximo dia 12 de abril, em casa, diante do Vasalund. O campeonato possui 26 rodadas disputadas em turno e returno e oferta uma vaga direta na segunda divisão e outra nos playoffs de promoção. O clube foi fundado em 26 de setembro de 2004. Ele representa os imigrantes curdos que somam 83 mil pessoas na Suécia. No mundo, o Curdistão tem entre 30 e 35 milhões de habitantes, a maioria deles (15 milhões) na Turquia, vivendo também em solos iraniano, iraquiano e sírio, mas sem autonomia política e um território para fundar a nação. Salvo da morte, um clube que representa a diáspora de um povo sem terra, sem espaço, mas com a vida renovada. Um povo que buscou no futebol uma atividade para os jovens. Em onze anos de história, saltou da oitava divisão para a terceira.