sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS: ANÁLISE DO FILME

Dead poets society
Toucestone Pictores, 1989

Vou analisar o filme, abordando o aspecto das possibilidades de ações determinadas pelo personagem John Keating. O que fazia o professor de inglês ser diferente dos demais professores e por que ele era idolatrado pelos seus alunos. E isso nos remete necessariamente a uma reflexão sobre práticas e teorias pedagógicas tratadas na atualidade.
O professor John Keating buscava em suas aulas questionar os paradigmas existentes apontando uma nova postura diante dos fatos. Uma crítica, por crítica ao sistema vigente? Não. Sua crítica apontava como solução a humanização do ser humano. Buscar dentro do ser humano aquilo que ele faz que o torna especial e principalmente único. Num primeiro instante, a quebra de paradigmas choque, cria barreiras e entrepostos. A quebra do status quo não é algo uniforme, cada situação estabelece percepções diferentes. John Keating era idolatrado por seus alunos, por romper a uniformidade com responsabilidade, dando-lhes instrumentos que capacitassem decisões e novas posturas frente ao sistema vigente. Alguém que estava flexibilizando olhares.
A postura trabalhada pelas cenas mostra dois momentos distintos da educação. De um lado a uniformidade docente, de outro a busca por novos métodos. Assumir apenas uma postura diante dos dois fatos parece perigoso. Ao chocar dois métodos distintos em busca da melhor solução pode apontar para a “política da boa vizinhança”. Neste caso, a SPM, mostra os pontos favoráveis e angustiantes de cada situação. Unir estes pontos em busca de algo sustentável, a principio, parece ser uma boa alternativa.
Onde, então, estarão as possibilidades de ação? Num sistema rígido ou noutro mais solto? Não, em ambos poderíamos apontar. As possibilidades de ação encontram-se na medida em que o próprio sujeito busca construir suas possibilidades. O professor John Keating apenas instrumentalizava os alunos afim de construírem suas possibilidades, tornando-se protagonistas das cenas da vida. A SPM era uma forma de instrumentalizar essas novas ações. Muitas vezes a quebra de paradigmas também é uma quebra do código normativo. Aqui o filme retrata bem a construção de um novo paradigma diante do problema normativo legalista, mas, nessas circunstância, a construção das possibilidades de ação dependem diretamente da quebra do código normativo.
Enfim, o filme nos remete a uma reflexão profunda dos aspectos pedagógicos e vitais de cada ser humano. Há um pouco de humano em nossas ações, afinal, “se escrevemos e lemos poesias, fazemos porque somos humanos” (SPM).

Texto escrito em 15-11-2006.
Estive a procurar alguns arquivos mais antigos em <meus documentos> e encontrei alguns textos escritos e não publicados. Escolhi este por conta da ausência recente de ator deste filme, um ator que admiro pela versatilidade e humanidade de seus papeis.