quinta-feira, 24 de julho de 2014

DUNGA O CONTINUÍSMO DE UM FUTEBOL DOENTE

Nos últimos dias as críticas sobre a estrutura do futebol brasileiro tem pipocado. Ainda lamento muito a não exploração da grande mídia. As discussões que ela propõe ainda é sobre o nome do treineiro, mas não sobre a estrutura que o controla. Sem uma grande pressão popular as cretinices em nosso futebol continuarão. A postagem que trago hoje é um texto de Fernando Graziani no blog Esporte Fino.

Muito mais espantoso do que os inesquecíveis 7 x 1 que a Alemanha impôs ao Brasil na Copa foi observar a crença quase geral de que o resultado seria o início de uma grande mudança no futebol brasileiro. Foi, porque a esperança não existe mais, está sepultada com requintes de crueldade com as confirmações de Dunga, Gilmar Rinaldi e Gallo como novos velhos comandantes técnicos da CBF. A entidade não tem a menor intenção de modificar efetivamente a estrutura do futebol do país. Nunca teve e tolo de quem acreditou, até porque tomar essa direção isso seria incomodar o status quo de privilégios dos 27 presidentes de Federações e 20 presidentes de clubes da Série A que elegem a direção da CBF, empresa particular comandada por uma casta que visa tão somente o lucro financeiro e de poder. Por falar em clubes, não são apenas os da primeira divisão que são omissos e coniventes. Todos são tão responsáveis pela situação atual quanto Marin, Del Nero e companhia bela. Dirigentes elegem os presidentes das Federações que, por sua vez, elegem os dirigentes máximos. É uma equação simplória até. Ao passar o bastão para Dunga, a CBF assume e implanta o continuísmo, que salta aos olhos. A situação é tão surreal que discussões antigas e inócuas voltaram como que por encanto. Relacionamento do técnico com a imprensa, disputa do futebol arte contra o futebol de resultados e necessidade dos jogadores vestirem a camisa para representar com raça o povo brasileiro não guardam nenhuma relação com o tamanho da reestruturação necessária. Ainda que o time ganhe a medalha de ouro olímpica em 2016 e seja campeão do mundo na Rússia em 2018, o futebol brasileiro continuará nas mãos de poucos, para poucos, com clubes endividados, mal administrados, sem calendário, planejamento e com a maioria dos atletas profissionais recebendo até dois salários mínimos. Algo, entretanto, jamais deixará de aparecer: os discursos populistas e reacionários, isca perfeita para fisgar, com sucesso, pachecos e simpatizantes. Uma tristeza.

Diante de tudo volto a velha questão: de que adianta um futebol profissional se a gestão é feita por amadores? Hoje somos a 15ª liga em público nos estádios, atrás da segunda divisão da Alemanha e da Inglaterra. Aqui na América os campeonatos dos EUA, a MLS; o Tequilão, ops, Mexicano e o Argentino estão na nossa frente, sem mencionar o J-League; o Turco e o Chinês... Retrato da incompetência!