quarta-feira, 4 de junho de 2014

ERA UMA VEZ AS PESSOAS QUE FILOSOFAVAM

Texto de Victor Caglioni



O esteriótipo de que os filósofos são pessoas que vivem no “mundo da lua”, tem uma ambivalência, ainda que um tanto desestabilizante para aquele que interage com estes, deve-se repudiar seu aspecto negativo, afinal são pessoas dinâmicas que tem seus momentos de introspecção que seguramente resultam em algum processo de evolução da consciência individuo-coletivo; ao tempo que “estar no mundo da lua”, é remeter esses indivíduos ao início da civilização e a grandeza dos progressos que a mente humana pode proporcionar, afinal tudo começou quando alguns começaram a olhar para o céu.
Da astronomia à filosofia, o desenvolvimento das artes, matemáticas, ciências biológicas e humanas, passou efetivamente pela filosofia, o início dos inícios. Perguntar e refletir, essa é a tática. Proporcionar alternativas ao que já está dado, costuma ser o resultado.
Pessoas que filosofam, são leves no seu andar, mas densos de conversa. Sim é fácil lembrar como nossos mais saudosos professores foram aqueles que nos faziam pensar sobre o que era tema em sala de aula, independentemente da matéria, matemática, artes, biologia, inglês, geografia, história etc...
É fácil identificar um arquiteto ou um designer que filosofa, pela arte que produzem, mesmo que com muitas dificuldades tentam se adequar ao mercado e com isso usar a criatividade para fazer algo que seja conceitual ao tempo que cumpre com a estética e funcionalidade para com o bem estar humano.
Advogados, médicos, empresários e até mesmo políticos que filosofam seguramente tem uma capacidade de inovação e atuação de seu trabalho na sociedade em que estão inseridos.
Mas ser uma pessoa que filosofa não requer tem formação formal, embora se supõem que esta deveria abrir as portas para tal, não faltam pessoas oriundas de realidades divergentes das elites intelectualizadas que sabem da importância daqueles momentos em que é preciso sentar e pensar, olhar para dentro e/ou para cima para reorganizar a vida.
Filosofar sempre será um ato de anticultura ou de reformulação dessas, de desenvolvimento do ser, afinal o conceito de Ego jamais poderia existir se não fosse essa energia que internalizamos e que quando pronta explode em processos de expansão da vida do individuo, como se as energias que se supõem estarem no universo, se conectassem com aquela que tanto se insiste “guardar” nos porões da mente, independentemente de crenças religiosas e/ou ideológicas.Afinal cada golem nos concedido é fruto de uma criação atribuída a nós mesmos.
Não faltam exemplos de hippies filosóficos que reorganizaram o mundo nos anos sessenta e setenta, alguns enriqueceram criando inovações literárias, educacionais, tecnológicas, comerciais e sociais, independentemente das adaptações que o “mercado” fez dessas inovações, elas só foram possíveis, por que seus criadores pararam para pensar e refletir.
O que satisfaz o indivíduo? O que é qualidade de vida? O que é progresso? O que realmente vale nas relações sociais e suas diversidades? O que sonha o indivíduo para sua vida? Como a sociedade se comporta frente a determinados temas?
São só algumas questões que declaram a importância que filosofar representa num sistema de consumo, que tem todas as capacidades para o bem estar, mas que devido suas desigualdades pouca satisfação tem trazido a imensa maioria das pessoas, materialmente beneficiadas ou não.
Então filosofar deve deixar os esteriótipos e passar a ser uma necessidade eminente, cada vez mais cedo, para a formação de uma democracia, de inovação, por que atua diretamente no ponto mais inacessível da sociedade, que são os pensamentos do indivíduo, para seu bem estar e sua possibilidade de liberdade de existência, menos manipulável e mais intelectualmente e afetivamente progressista. 
Victor José Caglioni – Sociólogo. Registro:SC000205/BR