quinta-feira, 10 de abril de 2014

QUANTO CUSTA UM PREGO?

O negócio seria uma negação do ócio? Etimologicamente vem do latim negotium, que significa ocupação. O sociólogo De Masi ao pensar nosso tempo afirma que “os dois últimos séculos não passam de um parêntese desequilibrado entre um convívio arcaico que a indústria despedaçou e um convívio telemático que a ciência reinventará” (1). Seguindo esta frase solta me atrevo afirmar que nossa sociedade além de desiquilibrada é doente. Ela não permite tempo para o ócio. E a vida corrida é medida pelo tempo e pelo dinheiro. Quando algo abrupto nos faz parar num primeiro momento o caos parece estabelecer. O desequilíbrio doentio limou o ócio e o entendimento - que um instante é capaz de trazer inúmeras mudanças e que todo negócio construir deixa de ser ele mesmo e se desfaz como um castelo de areia na praia.

Entre devaneios se faz importante pensar a resposta da pergunta-título. Falo de um prego que meu pai chama de “prego de mata-junta”. Aqueles pequenos que podem ser facilmente cortados com uma alicate. Hoje um desses custou-me R$ 667,65.


E foi um prego que retirou o meu dia de negócio. E por uma fração de segundo foi apenas isto, ganhei ócio, mas poderia ter perdido a vida, os sonhos, a esperança, mas “ganhei ócio”. Perdi apenas o negócio que diante de uma queda não tem grande significado senão uma mera ocupação do dia a dia para preencher um espaço que sobrevivido, será vertido em história na aposentadoria. Este prego superfaturado entrou no pneu dianteiro de minha moto durante a ida ao trabalho pela parte da manhã, e provocou uma queda direta e violenta sobre um monte capim na beira da pista. Em processo de re-aceleração perdi o equilíbrio e cai e assim começou o dia de ócio. O desiquilíbrio do planejamento diário e o cancelado de inúmeras atividades e o prejuízo delas me fazem pensar que há situações de mais valia que um dia a de negócios. Uma vida vale muito mais que um prego, mas adoecido pelo ritmo da sociedade não paro para pensar do que vale a pena.

(1) DE MASI, Domenico. A sociedade pós-industrial. 2ª Ed. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 1999, p. 54.