quarta-feira, 9 de abril de 2014

QUALQUER UM PODE SER UM PENSADOR?



Fonte: Veja on line


MOTIVAÇÃO: Profival escreveu: "A matéria, com a entrevista do professor responsável pela questão acima, está na Veja on line. Albio Fabian Melchioretto, você concorda com a explicação abaixo? "Ainda segundo o docente, o uso do termo "grande pensadora" não foi colocado entre aspas na prova porque ele acredita que a funkeira tem influência sobre a sociedade. "Por que não posso chamar a Valesca de pensadora? Qualquer pessoa que consiga construir um conceito é um filósofo. A todo momento em que você abre sites e revistas de fofocas, aparece que fulano 'deu beijinho no ombro'. Ela acabou criando um conceito. Se ela influencia a sociedade com o que ela pensa, eu a considero sim uma pensadora".


 Quem é um pensador? Todos somos pensadores? Se a resposta for escrita de maneira rápida podemos afirmar que sim, mas a resposta merece um olhar mais cauteloso. Vygotsky (1) no livro Psicologia Pedagógica (cf. pág. 63) afirma que o ser humano é um agente ativo, ao produzir ferramentas ele vai aperfeiçoa-las o que o torna diferente das abelhas em suas colmeias e das aranhas com suas teias que a estrutura é a mesma em séculos, ou seria milênios? Ou seria um era? O homem tem consciência histórica das ferramentas que ele está a produzir. Ao afirmar, dentro de um contexto filosófico, que tal pessoa é uma “pensadora” a afirmação possui um peso maior que que uma situação corriqueira. José no botequim afirmando que Mário é um pensador nada diz, pura filosofia de boteco. Agora quando um profissional da filosofia afirma que uma determinada pessoa é “pensadora”, a frase é carregada de verdade em si mesmo. Pensador dentro das características filosóficas possui um “plus”.  O pensador filosófico segundo Chauí (2) questionando o mundo que o rodeia e as relações que mantém com este mundo. Mas para que tal questionamento tornar-se filosófico e digno de um pensador a autora aponta três necessidades (cf. pág. 12). A primeira delas é a própria reflexão que de ser profunda precisa fazer o pensamento voltar-se para si mesmo interrogando-se. A segunda necessidade é que tal reflexão seja radical para indagar como é possível o próprio pensamento atuar sobre o problema. E a terceira necessidade aponta para uma visão de conjunto [que vai além da própria bunda, ou seria umbigo?] pois somente nos é conferida humanidade quando a expressão das ações faz sentido dentro do contexto no qual estar-se-á inserido. Com as três necessidades o pensador, no sentido filosófico parte para a busca racional das motivações do pensar, das sentidos (enquanto conteúdo) do pensar e da intenção do falar e do fazer. Então, que pensadora ela é?

(1) Vygotsky, Liev Semionovich. Psicologia Pedagógica: edição comentada. São Paulo: ArtMed Editora, 2001.
(2) CHAUÍ, Marilena. Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2002.