sábado, 22 de março de 2014

POR QUE A PRIMEIRA EUCARISTIA?

Começo esta reflexão usando uma frase de um filósofo fora de seu contexto, talvez fora de seu sentido original, que me perdoem os especialistas. Segundo o filósofo contemporâneo Deleuze, “todo encontro deve produzir um desejo”, no sentido mais puro da palavra. Sabemos através do dia a dia que o desejo somente é saciado no reencontro. Quando desejo estar com alguém, que é me agradável, desejo o reencontro, desejo a companhia, desejo o bem estar. O reencontro não necessita de imposição nem organização, ele acontece na pureza do desejo.

O documento Catequese Renovada (1983) no n. 129 afirma “sempre mais se impõe uma educação permanente da fé que acompanhe o homem por toda a vida e se integre em seus crescimento global. A comunidade catequizadora velará zelosamente para que isso aconteça de fato, estabelecendo uma organização adaptada e eficaz”. Este documento é um marco na história da catequese no Brasil. Ele direciona as ações para uma catequese permanente, onde o reencontro deve tornar-se uma constante. Os verbos destacados são imperativos em seu sentido.

Hoje participei de uma reunião com pais de criança que deverão receber a Eucaristia pela primeira vez em breve. Após a leitura do Evangelho, sentei ao fundo ouvindo a catequista preparei algumas intervenções se necessário fosse. Não fora! Na reunião foram apontados 9 assuntos gerais. Deles apenas a oração inicial continha uma mensagem espiritual, os demais eram questões de ordem prática. Por que em nossas reuniões perdemos tempo com questiúnculas quando o essencial foge aos olhos e desaparece do coração? Sem o essencial não há desejo; sem o essencial não há reencontro; e sem o essencial o permanente torna-se efêmero e se liquefaz com tantas regras que perdem seu sentido. Se não souber o verdadeiro sentido da Eucaristia, fotos, flores, homenagens, local, roupa são efêmeros e vazios de desejo.