terça-feira, 4 de março de 2014

BOM MESMO É NÃO PENSAR

Não é preciso pensar quando há alguém que está por fazer o trabalho do pensamento. No texto Resposta à pergunta <que é esclarecimento? Immanuel Kant afirma que ao aceitar as verdades de um livro, de um diretor espiritual ou de um médio por si sem o mínimo esforço há uma “sujeitação” do indivíduo. Esta “sujeitação” chega ao ponto de afirmar que a passagem de menoridade para a maioridade é algo demasiadamente perigoso. A chamada de atenção de Kant, diante da aceitação do discurso da comodidade da menoridade é algo pertinente. É tão pertinente que é possível pensarmos práticas políticas de nosso tempo a partir do texto histórico. A ideia de uma condução da menoridade é usada em momentos que encontramos uma passividade pública diante de ações políticas. O não compreender, o não conhecer o mecanismo da gestão pública mostra que há muitos indivíduos que buscam ausentar-se da passagem da menoridade para a maioridade. O que dá sentido à isto que está escrito pode ser observados em conversas informais de “botequins”. É muito mais fácil encontrar uma discussão trivial sobre o que está aparecendo em novelas e reality shows do que propriamente uma discussão séria e conceitual sobre projetos de leis que estão em pautas no congresso nacional que vão determinar condutas da vida profissional e pessoal.

SUGESTÃO DE LEITURA: KANT, Immanuel. Resposta à pergunta: que é "Esclarecimento"? (<Aufklärung>) [5 de dezembro de 1783, p. 516] Tradução de Floriano de Sousa Fernandes, in: TEXTOS SELETOS; Petrópolis: Vozes, 1985, p. 100-117 (Textos clássicos do pensamento humano/2).