sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

MINHAS EXPECTATIVAS COMO BRASILEIRA PARA 2014


Quando fui convidada para escrever esse texto, não sabia ao certo minhas próprias expectativas para o futuro, sendo assim comecei a perguntar aos meus amigos o que eles esperavam para o futuro de um jovem no Brasil, e a resposta foi quase unanime: “Ir morar ou fazer um intercâmbio fora do país”.
Moro em Blumenau, uma cidade de porte médio, cerca de 310 mil habitantes. Considerada também como a Alemanha Brasileira, e polo de indústrias têxteis, recentemente vem se destacando também na produção de tecnologias. Cidade bonita, cidade organizada, acolhedora e de habitantes que continuam perseverando quando grandes enchentes nos devastam e fazem com que começamos novamente do zero, como acontecido em 2008 e 2011.

Quando começamos a falar de algo sempre começamos pelo lado negativo. Não vai ser o objetivo por enquanto, quero ressaltar aqui que somos um povo de luta, um povo que quando vem à tragédia sabe erguer a cabeça e voltar a trabalhar para reconstruir a sua vida, um povo que brinca, ri, dança alegremente nas ruas e que canta seu hino nacional com paixão. Um país com uma diferença cultural enorme, e que em cada local é como se fosse para um país diferente, com ideias, danças e costumes diferentes. Conhecer o Brasil é também conhecer uma boa parte da variedade do mundo.

Pretendo aqui começar a fazer uma análise do que acontece no Brasil pelos pontos de luta que tenho acompanhando, e também como, talvez, começar a melhora-lo.

O ensino em qualquer instância está caótico no país, passamos os alunos de series para que eles consigam somente seu diploma de ensino fundamental, médio ou ensino superior. Estamos formando analfabetos funcionais, cujo sabem ler, mas não sabem interpretar ou criar uma opinião em base daquilo. O ensino superior está em expansão, tanto público como privado só que a lógica ainda está muito voltada para o lucro, sendo assim, não há uma preocupação forte com a qualidade e/ou estudar para entender as coisas, e sim em retirar o diploma e começar a trabalhar na área para ter um emprego fixo, com uma renda um pouco maior da média da população. Nossas crianças não chegam a ler um livro por ano, nossos jovens começam a trabalhar cedo para ajudar com dinheiro dentro de casa. A educação tem que passar por serias reformas no país, mudar a grade e propor que as crianças entendam, possam questionar os professores; que os pais em casa, possam sentar e auxiliar no seu papel de desenvolvimento, que a criança entenda que brincar é importante e que ela pode aprender muito com isso.

O papel da mulher no país ainda é de submissão. Apesar de as lutas feministas terem crescido muito no país, ainda alguns pontos são alarmantes. Somos frequentes vítimas de assédio/violência sexual. Segundo dados, o SUS (Sistema Único de Saúde) recebe duas mulheres vítimas de abuso sexual por hora no ano de 2012. Em rodas de amigas, quando a pergunta é lançada, cerca de 70% já passaram por violência ou assédio sexual, o olhar para isso ainda é preocupante, pois a população coloca a vítima como errada, e não o agressor. Ganhamos salários menores, temos o emprego doméstico e na indústria, o papel de educar inteiramente os filhos e ainda nos colocam como submissas. Particularmente a ideia de termos uma presidenta é fantástica, mostra que avançamos muito, só que camadas mais conservadoras soltam comentários como “tem que ser mulher para fazer burrada”. E isso se espalha para o transito, faculdade, ensino, relacionamentos e por ai vai. O combate ao machismo tem que ser forte, e intenso. Sociedade não pode mudar com ideias tão retrogradas como ver a mulher como o pedaço errado do homem.
Sou amiga da bike e constantemente fazemos protestos em prol da bike na cidade. Em termos de mobilidade urbana, a grande incentivo no país para se comprar/usar carro, diminuição de impostos para aqueles que compram carros e por ai vai. As ciclovias são deixadas de lado, as calçadas em sua grande maioria não são projetadas para cadeirantes e ciclistas, e no meio disso, o transito cada vez fica mais caótico e cada vez maior os números de violência no transito. Necessita-se de grande investimento em termos de mobilidade inteligente, revendo pontos como a saúde, meio ambiente e locomoção eficaz.

A respeito da Copa do mundo 2014, que será sediada no Brasil, existem controvérsias gigantes. Uns acham que será um ótimo progresso para o país, trazendo assim mais lucros. E outras pessoas, e eu me incluo neste grupo, pensam que não deveríamos sediar um evento deste porte. O Brasil, por mais acolhedor, e diversificado que seja, não tem estrutura de transporte, moradia, saúde, e educação. Isso nos falta como cidadãos, porque deveríamos proporcionar para o resto do mundo? Em pesquisas recentes, mostram que cerca de 250 mil pessoas serão desalojadas até o fim das obras para a copa. As manifestações de rua têm sido cada vez mais frequentes com o grito: “Não vai ter copa”. Não desejamos, e sofremos com isso, com essas decisões de pessoas que só querem lucrar e não se preocupam com o bem das pessoas e da região.
Penso que este ano, é o ano da revolução, é o ano em que podemos mudar de fato o país e transformar ele em uma sociedade mais igualitária e humanitária. Que possamos pensar mais nos que passam fome, sede, abusos, violência e lutamos para construir um mundo melhor. Que a mídia manipuladora, mostre essa outra fase que acontece no Brasil e também nos mais diversos locais do mundo. Que países emergentes e de terceiro mundo, não sirvam só para exploração. E que os países explorados se juntem para começar a revolução e caminharmos em direção da paz mundial.

Termino este texto, citando Renato Russo, com a música “Será”:

“Nos perdemos entre monstros/ Da nossa própria criação/ Serão noites inteiras/ Talvez por medo da escuridão/ Ficaremos acordados/ Imaginando alguma solução/ Para que esse nosso egoísmo/ Não destrua nosso coração”.