quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

EDUCAÇÃO SENTIMENTAL: ANÁLISE DO FILME


Este não é do tipo de filme que você senta assiste e se diverte. Logo nos primeiros quinze minutos pensei em desistir do filme, mas o improvável me prendeu na frente da tela. Os filmes de Júlio Bressane, são assim.  São obras de arte, concebidas para serem sentidas, analisadas e desvendadas e contestadas. O típico filme para incomodar. Ele mexe. Diante do enredo não é possível passividade. A personagem principal – Áurea conduz um diálogo que mais se parece com um monólogo. Áurea e um bom moço conversam durante o filme, mas o bom moço é reduzido a respostas monossilábicas enquanto que ela arrota inteligência, sabedoria, literatura e beira a insanidade. O diretor tem como base o mito grego de Selene e Endimião, da Lua que se apaixona por um mortal e o condena ao sono eterno. É a metáfora que circunda a relação entre Áurea e Áureo – o bom moço. A história se passa nos monólogos longos de Áurea em um tom pomposo, professoral e debochado, ela beira a loucura, a sabedoria em tons de ironia. Ele apenas escuta e quase não entende. Estão tão desconexos quanto a atmosfera do filme, que contrasta atuações artificiais com uma natureza transbordante. E no final num passe de mágica a história sessa e vem o deboche ao próprio cinema.